Dia da Luta contra o Câncer Infantil: reconhecer sintomas pode acelerar diagnóstico e aumentar chances de cura

(Foto: iStock/Katarzyna Bialasiewicz)
Febre persistente, dores de cabeça frequentes ao acordar, manchas roxas sem explicação e caroços pelo corpo estão entre os sintomas que exigem atenção imediata em crianças e adolescentes. No Dia Mundial de Combate ao Câncer, celebrado no dia 4 de fevereiro, especialistas reforçam que reconhecer sinais precocemente pode ser decisivo para o sucesso do tratamento, especialmente porque, nessa faixa etária, a doença tende a evoluir mais rápido, mas também apresenta altas chances de cura quando diagnosticada no início.
No Brasil, o câncer é a principal causa de morte por doença entre pessoas de 1 a 19 anos. Diferente do que ocorre em adultos, os tumores infantojuvenis raramente estão ligados a hábitos de vida ou fatores ambientais. Na maioria dos casos, a origem está associada a alterações genéticas que surgem ainda durante a gestação, o que torna a prevenção praticamente inviável. Por isso, o diagnóstico precoce é apontado como a principal estratégia para aumentar a sobrevida.
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Quando identificados em fases iniciais e tratados em centros especializados em oncologia pediátrica, os índices de cura podem chegar a 80%, segundo o Hospital do GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e a Criança com Câncer). Em alguns tipos de câncer, como o tumor de Wilms (nos rins) e o retinoblastoma (nos olhos), a taxa de sucesso ultrapassa 90%.
“Quanto mais cedo a doença for descoberta e o tratamento iniciado, maiores são as chances de alcançarmos bons resultados. Em seu estágio inicial, o tumor se encontra no local de origem, ou seja, não se espalhou para outros órgãos ou tecidos”, explica a médica Monica Cypriano, diretora clínica do Hospital do GRAACC.

Monica Cypriano, diretora clínica do Hospital do GRAACC. (Foto: divulgação)
Ela destaca ainda que tumores em crianças costumam responder melhor à quimioterapia tradicional e que o processo de recuperação tende a ser mais rápido do que em adultos.
Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que, entre 2023 e 2025, cerca de 7.930 novos casos de câncer em crianças e adolescentes de até 19 anos devem ser registrados anualmente no país. Como as células infantis estão em constante e acelerada multiplicação durante o crescimento, a evolução da doença também pode ser rápida, o que exige atenção redobrada de pais, responsáveis e profissionais de saúde.

Neste contexto, a União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) lançou, para o triênio 2025–2027, a campanha “United by Unique”, que defende um cuidado mais humanizado e centrado nas necessidades individuais de cada paciente e família. Segundo a diretora clínica do GRAACC, a proposta é enxergar a criança além da doença, garantindo acolhimento e qualidade de vida durante o tratamento, com manutenção dos estudos, socialização e medidas para reduzir dor e sofrimento.

Quando desconfiar?
Embora muitos sintomas do câncer infantil possam se confundir com doenças comuns da infância, especialistas alertam que a persistência dos sinais, ou a ausência de melhora com tratamentos habituais, deve acender o sinal de alerta. A orientação é manter consultas regulares com pediatra, oftalmologista e dentista e procurar avaliação médica sempre que algo parecer fora do normal.
Principais sinais que merecem investigação
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febre prolongada sem causa aparente;
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perda de peso inexplicada;
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dores ósseas persistentes;
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convulsões sem febre;
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fraqueza em um lado do corpo;
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ínguas que não desaparecem;
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alterações visuais (como reflexo branco em fotos com flash);
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inchaço abdominal;
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sangue na urina;
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aumento dos testículos;
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dores articulares sem motivo conhecido;
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nódulos ou massas sem histórico de trauma;
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manchas roxas sem explicação;
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dores de cabeça frequentes, especialmente ao acordar.
A recomendação dos especialistas é simples: sintomas persistentes não devem ser normalizados. Em caso de dúvidas, a avaliação médica rápida pode fazer toda a diferença no desfecho do tratamento.





