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Guerreiras ou sobrecarregadas? Os desafios de conciliar carreira e maternidade

Quando fala sobre como se enxerga nessa realidade, ela evita rótulos
23/03/26 às 12:00h
Guerreiras ou sobrecarregadas? Os desafios de conciliar carreira e maternidade

Foto: Pixabay

Ser mãe solo já é desafiador, agora, imagine conciliar isso com uma carreira profissional que exige esforço, determinação e disciplina. Essa é a realidade de Flávia Moura, jornalista, 2ª tenente da Força Aérea Brasileira (FAB), estudante de Direito e mãe de dois filhos pequenos.

“É tudo muito corrido. Eu sou mãe de dois, então é tudo meio que cronometrado. Então, pela manhã eles estudam, aí a gente tem que ali organizar fardamento, fazer lancheira, coloca dentro do carro, vai para a escola, depois volta, faz tarefa, depois brinca. Então, tudo tem um horário”, conta Flávia. Entre trabalho, faculdade e treinos físicos obrigatórios da carreira militar, cada minuto precisa ser planejado.

O que mais dói, segundo ela, é a ausência durante o dia. “Olha, eu vou te confessar que o momento mais difícil é quando eu saio de casa, e eles já estão na escola, e quando eu volto, eles estão dormindo. Então, ao longo do meu dia, no meu intervalo, por exemplo, no almoço, eu praticamente atravesso a cidade para que eu possa pelo menos almoçar com eles”, revela.


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Flávia confessa que se cobra muito, tanto como mãe quanto como mulher. Quando fala sobre como se enxerga nessa realidade, ela evita rótulos como “guerreira” ou “sobrecarregada” e prefere uma definição mais simples: uma mãe dedicada.

“Eu me dedico, eu me considero uma mãe dedicada. Mas sabe o que acontece? É que geralmente a mãe, ela se cobra muito. Às vezes a gente tá muito tempo ali com o filho, eu vou assim, poxa, eu queria extravasar um pouco. E eu saio e eu me sinto mal depois. Eu falei, ‘poxa, eu acho que esse tempinho eu poderia ter ficado com eles’, entendeu?”, comenta ela.

Ela também revelou que enfrentou preconceito e desafios no trabalho devido à maternidade. “Infelizmente, a mulher passa por isso quando ela volta da licença-maternidade ou até mesmo quando ela dá a notícia de que ela está grávida. Parece que o mercado ali já não aceita, já não vê com bons olhos”, afirma.

Mesmo diante das dificuldades, Flávia é enfática ao afirmar que cada conquista tem um valor especial em sua trajetória, desde apresentar um telejornal, atuar na comunicação da FAB, concluir a faculdade, o mestrado e até, claro, criar os filhos.

“Você sabe que eu tenho ali a ideia de comemorar as pequenas conquistas. Até as maiores. Mas eu levo em consideração toda a minha carreira…Então, para mim, o que eu sou hoje foi por muitas conquistas que eu tive lá atrás”, finaliza.

A realidade vivida por mulheres como Flávia não é isolada. Segundo o Censo Demográfico 2022, do IBGE, o Brasil tem cerca de 7,8 milhões de famílias chefiadas por mães solo, o que representa aproximadamente 13,4% dos lares do país.

No Amazonas, mais de 100 mil famílias são lideradas por mulheres sozinhas, correspondendo a cerca de 12,1% dos domicílios.

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