Estar sozinho nem sempre é solidão; entenda o conceito de solitude

Quantas vezes você não passou pela seguinte situação; você esta com seu companheiro(a), passeando no shopping, pega uma mesa para lanchar, e ao lado, existe uma pessoa sozinha, mexendo no celular. Conforme o tempo passa, você percebe que esse individuo pediu um lanche, comeu, seguiu sozinho na mesa por mais um tempo e foi embora. O primeiro pensamento lógico seria imaginar que esse alguém tomou um “bolo”. Mas, e esse essa pessoa simplesmente quis sair sozinha e fazer suas coisas sem dar satisfação a ninguém? Aquilo que parecia ser uma situação de solidão passa a ser um caso de solitude.
Cada vez mais presente nas redes sociais, o conceito de “solitude” vem sendo associado ao bem-estar emocional e ao autoconhecimento. Diferente da solidão, geralmente ligada a sentimentos de tristeza e isolamento, a solitude representa a escolha consciente de aproveitar momentos sozinho de forma positiva.
Embora os dois termos tenham origem no latim solitudo, seus significados passaram a ser interpretados de maneiras distintas ao longo do tempo. Enquanto a solidão costuma estar relacionada à falta de conexão emocional e ao sentimento de vazio, a solitude é vista como um estado de tranquilidade, reflexão e equilíbrio interior.
Especialistas explicam que a principal diferença entre os conceitos está na relação da pessoa consigo mesma. Na solidão, há sensação de desconexão e sofrimento emocional. Nessa situação, a pessoa não esta feliz e anseia por uma companhia. Já na solitude, o indivíduo encontra conforto na própria companhia e utiliza esse tempo para descanso mental, criatividade e autoconhecimento.
A doutora Julia Dalpissol, psicóloga clínica com especialização em Terapia Cognitivo Comportamental, que atende na clínica Neurallis, explica que a solitude é uma escolha emocional
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“A solitude é vista como a capacidade de estar consigo mesmo de uma forma saudável. A pessoa consegue aproveitar momentos sozinha sem sofrimento intenso, sem sentir que está sendo rejeitada ou abandonada. Existe uma escolha e tambem conforto nessa experiência. Inclusive, ela pode ser importante para descanso mental, autoconhecimento e regulação emocional” explica Dalpissol.

Um ponto interessante apontado pela especialista é que, ao contrário da solitude, que necessita que a pessoa esteja sozinha, o sentimento de solidão nem sempre vem acompanhado do fato de estar fisicamente sozinho. “A solidão pode acontecer mesmo cercado de pessoas. Então não é uma questão apenas de quantidade de relações sociais mas da qualidade desses vínculos e da forma como a pessoa se sente dentro deles”, destaca.
Segundo abordagens da psicologia, casos prolongados de solidão podem aumentar sentimentos de tristeza, irritabilidade e pessimismo. Por outro lado, a solitude é frequentemente associada a benefícios emocionais. O hábito de reservar momentos sozinho pode contribuir para aliviar o estresse, fortalecer a saúde mental e estimular reflexões pessoais.
Embora a solitude esteja associada a qualidade de vida emocional e mental, há casos em que ela pode acarretar em fatores negativos, principalmente quando o indivíduo recusa de forma consciente socializar com outras pessoas, pedindo uma observação aprofundada do contexto e a intensidade desses episódios.
“Existem pessoas mais introspectivas, que precisam de mais tempo sozinhas, e isso não é um problema” afirma a doutora Dalpissol. Quando a necessidade de estar sozinho associa-se a tentativa de evitar dor emocional, frustrações, rejeições ou inseguranças, esses episódios podem configura um sofrimento psíquico gerados por ansiedade e até quadros depressivos.
Também é preciso observar os sintomas que podem gerar esses episódios, como perda de interesse pelas relações, dificuldade extrema de se conectar emocionalmente, evitar constantemente contato social por medo, tristeza persistente, são sintomas de que a pessoa esteja em casos mais profundos de sofrimento mental.





