Adaptação escolar exige acolhimento e preparo para crianças com autismo

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O início da vida escolar é um momento especial para os pais e pode despertar nas crianças sentimentos como curiosidade, entusiasmo, insegurança e ansiedade, sensações que tendem a ser ainda mais intensas no caso de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Essa realidade faz parte do cotidiano de muitas famílias e pode ser percebida na história de Laura, de 5 anos, filha de Sarah Omena. A mãe conta que os primeiros sinais de autismo surgiram ainda na primeira escola da menina, quando Laura começou a estudar, aos 1 ano e 4 meses.

“Foi na primeira escolinha que ela apresentou sinais de autismo. A escola atual, que é militar, me surpreendeu muito em todos os aspectos de inclusão, empatia e acolhimento”, relata Sarah.
Segundo a mãe, o papel da professora foi essencial para que Laura se sentisse segura e confortável no ambiente escolar. “Ela nasceu para ser professora. Dava muito carinho, acolhimento e atenção especial à Laura. O salto de desenvolvimento da minha filha foi gritante, graças à paciência, ao respeito e à compreensão dela”, afirma.

Na nova escola, o processo de adaptação aconteceu de forma gradual. Sarah destaca o trabalho conjunto da equipe pedagógica, da psicóloga escolar e de todo o corpo docente.
“Desde o início, eles disseram que fariam do possível ao impossível para que tudo desse certo. E deu. A professora, a psicóloga e toda a equipe foram fundamentais. No primeiro contato ela estranhou, mas depois foi progresso total”, conta.

Para Sarah, algumas palavras resumem o que é essencial para que crianças atípicas se sintam incluídas e felizes no ambiente escolar: preparo, inclusão, empatia e acolhimento.
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Dados
Os dados do Censo Demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o Transtorno do Espectro Autista está presente na vida de milhões de brasileiros. No país, cerca de 2,4 milhões de pessoas já receberam o diagnóstico, o que corresponde a aproximadamente 1,2% da população.
Entre os estudantes, o número também é significativo. Estima-se que mais de 760 mil pessoas com autismo tenham 6 anos ou mais, e a maior parte delas está inserida na rede regular de ensino. Somente no ensino fundamental, são mais de 500 mil alunos matriculados em escolas comuns.
Em Manaus, a realidade acompanha esse cenário nacional. Um levantamento divulgado pelo IBGE em agosto do ano passado aponta que a capital amazonense tem 27.636 pessoas diagnosticadas com o transtorno, representando cerca de 1,3% da população local, que ultrapassa 2 milhões de habitantes.
As crianças de 5 a 9 anos concentram o maior número de diagnósticos, somando quase 6 mil casos, o que reforça a importância da atenção desde os primeiros anos de vida.
No contexto educacional, mais de 10 mil estudantes autistas estão matriculados em escolas de Manaus. A maior parte frequenta o ensino fundamental regular, seguida pelo ensino médio e pela educação infantil, o que evidencia a necessidade de escolas cada vez mais preparadas para promover a inclusão.






