País do futebol ou do cinema? Veja a trajetória do Brasil nas premiações da sétima arte

Walter Salles e Fernanda Torres (Foto: Arturo Holmes/WireImage)
2026 é ano de Copa do Mundo de futebol, mas vamos falar a verdade: os brasileiros, de modo geral, estão empolgados com o futebol atual da nossa seleção? O Brasil tem chances na competição, como sempre, porém mesmo o mais ardoroso torcedor deve reconhecer que o nosso país não chega mais como favorito às copas, e isso já ocorre há algum tempo.
Em compensação, o cinema é quem vem trazendo glórias internacionais para o Brasil nos últimos anos, mais do que o futebol. Por isso, vamos relembrar um pouco a trajetória e as glórias que filmes brasileiros tiveram em festivais internacionais e no todo-poderoso Oscar ao longo das décadas.
Início tímido
A trajetória do Brasil nas grandes premiações do cinema segue o histórico da nossa produção, sempre marcada por interrupções e recomeços. Mas tudo começa com o Festival de Cannes, na França, e o filme “O Cangaceiro” (1953), que foi premiado como Melhor Filme de Aventura e Melhor Trilha Sonora no evento. Esse foi o primeiro filme brasileiro a conquistar grandes prêmios internacionais.
Quase uma década depois, “O Pagador de Promessas” (1962), de Anselmo Duarte, faz história ao vencer a Palma de Ouro em Cannes, o prêmio máximo do festival. Foi a maior glória internacional do nosso cinema até tempos recentes. O filme ainda ressoa e fala muito sobre a realidade brasileira, hoje, e foi também indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Aproveitando, vale lembrar do caso de “Orfeu Negro” (1959). A produção do diretor Marcel Carnè foi filmada no Rio de Janeiro e venceu o Oscar de Filme Estrangeiro, mas como foi de fato um filme francês, a estatueta dourada acabou indo para o país dos irmãos Lumière.
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Anos 1980 e prêmios importantes
Mais alguns anos se passam e na década de 1980 o cinema brasileiro volta a aparecer no cenário internacional. A década começa com “Pixote: A Lei do Mais Fraco” (1981), dirigido pelo argentino radicado brasileiro Hector Babenco, que concorreu ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro.
Atrizes brasileiras fizeram sucesso: Em 1986, Fernanda Torres levou o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes por “Eu sei que vou te amar”, enquanto Marcélia Cartaxo, no mesmo ano, levou o Urso de Prata em Berlim por “A Hora da Estrela”. No ano seguinte, foi a vez de Ana Beatriz Nogueira levar o Urso para casa, pelo filme “Vera”.
Retomada
Após o fim da Embrafilme, agência governamental de fomento ao cinema, no governo Collor, a produção brasileira minguou pela primeira metade dos anos 1990. O chamado período da retomada, na segunda metade da década, levou o Brasil de volta a concorrer a grandes prêmios do cinema.
Nesse período, “O Quatrilho” (1995), “O Que é Isso, Companheiro?” (1997) e “Central do Brasil” (1998) levaram o Brasil de volta a prêmios como os de Berlim, Globo de Ouro e Oscar. Os três concorreram como Melhor Filme Estrangeiro no Oscar, e Fernanda Montenegro conseguiu ser indicada como Melhor Atriz por “Central do Brasil”, de Walter Salles. Essa foi a primeira vez que um filme brasileiro recebeu duas indicações à premiação.
Anos 2000
“Cidade de Deus” (2002), no começo do novo século, se consolidou como o filme brasileiro de maior sucesso em todo o mundo. Ele concorreu a quatro Oscars em 2004: Melhor Direção, Melhor Fotografia, Melhor Montagem e Melhor Roteiro Adaptado. Foi também indicado como Melhor Filme Estrangeiro no Globo de Ouro.
Outro grande sucesso internacional do período foi “Tropa de Elite” (2007), premiado como Melhor Filme no Festival de Berlim.
Documentários
O Brasil já teve cinco produções concorrendo como Melhor Documentário no Oscar. São elas:
- “Raoni” (1979), de Luiz Carlos Saldanha e Jean-Pierre Dutilleux
- “El Salvador: Another Vietnam” (1982), de Tetê Vasconcellos e Glenn Silber (co-produção com EUA)
- “Lixo Extraordinário” (2011), de João Jardim, Lucy Walker e Karen Harley
- “O Sal da Terra” (2015), de Juliano Salgado (filho de Sebastião Salgado, sobre o qual se debruça o documentário)
- “Democracia em vertigem” (2020), de Petra Costa.
Animações e curtas
Não podemos esquecer também dos casos de “Uma História de Futebol”, concorrente como Melhor Curta-metragem em Live Action em 2001 no Oscar, e “O Menino e o Mundo”, que também concorreu ao Oscar de Melhor Animação em 2016.
Momento atual
A estatueta dourada finalmente veio para o Brasil em 2025 com “Ainda Estou Aqui”, drama de Walter Salles baseado numa história real sobre o período da ditadura militar no Brasil. Além disso, o país ainda vibrou com a vitória de Fernanda Torres no Globo de Ouro como Melhor Atriz, e sua indicação ao Oscar na mesma categoria, repetindo o feito de sua mãe décadas antes.
Somando todas as indicações nos principais eventos de cinema do mundo, o Brasil já teve 88 nomeações com 77 filmes. É o 2º país latino com mais indicações aos principais prêmios do cinema, atrás apenas do México.
A história do cinema brasileiro é de perseverança frente às dificuldades, e períodos de paradas e recomeços. E, claro, nosso cinema não precisa de prêmios internacionais para ter seu valor reconhecido. Ainda assim, é inegável que o recente Oscar e o sucesso de “O Agente Secreto”, conquistando nova indicação para o país na maior premiação do cinema em dois anos consecutivos (feito que poucos países conseguiram), enche o espectador brasileiro de orgulho e valoriza o nosso país culturalmente frente ao mundo.
Resta torcer para que em 2026, a seleção brasileira de futebol tenha glória comparável à que nossos filmes conseguiram nos últimos anos.
*Com informações de Nexus e InfoMoney






