Virada de Plínio Valério sobre Alberto Neto repete tradição do Amazonas

A virada do senador Plínio Valério (PSDB) sobre o deputado federal Alberto Neto (PL) na disputa pela segunda vaga ao Senado, ocorrida neste domingo (4/10), quando a apuração chegava próximo de 90% das urnas, é uma tradição da política do Amazonas. Desde a redemocratização, nos anos 1980, candidatos que apareciam atrás nas parciais do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) ultrapassaram adversários na reta final da contagem em diferentes eleições.
Neste ano, a disputa pela segunda vaga foi definida na reta final. Eduardo Braga (MDB) liderou a apuração e foi eleito com 1.240.471 votos. Plínio Valério chegou a 948.793, e Capitão Alberto Neto terminou com 909.155, diferença inferior a 40 mil votos.
Alberto liderou a apuração desde o início, mas, às 21h40, com 98,80% das urnas apuradas, Plínio alcançou 24,72% dos votos válidos, contra 23,79% de Alberto Neto, e garantiu numericamente a reeleição.
O precedente de 2022
O movimento se repetiu quatro anos antes. Em 2022, o Coronel Menezes (PL) passou boa parte da apuração à frente de Omar Aziz (PSD) e, com 90% das urnas apuradas, ainda aparecia como eleito nas parciais.
A virada de Omar ocorreu na reta final, quando faltavam pouco mais de 5% das seções, segundo registros da época. Omar terminou reeleito com 784.007 votos, contra 737.875 de Menezes, diferença de 46.132 votos.
Em 2018, outra disputa pela segunda vaga mudou de posição na reta final. Plínio Valério liderou desde a apuração inicial e terminou em primeiro, com 834.809 votos. A segunda vaga, porém, veio após uma disputa acirrada entre Eduardo Braga (MDB) e Luiz Castro (PDT).
Luiz Castro começou à frente, mas a diferença diminuiu conforme os votos do interior foram incorporados. Com 90% das urnas apuradas, Braga ultrapassou Castro. Naquele momento, o então senador tinha 570.261 votos, contra 569.784, diferença de apenas 477. A apuração terminou com Braga eleito em segundo lugar, com 607.286 votos, contra 581.553 de Castro, diferença de 25.733.
O histórico recua ainda mais no tempo
Em 1998, quando apenas parte das seções usava urnas eletrônicas, Gilberto Mestrinho protagonizou outra virada na disputa pelo Senado. Marcus Barros (PT) liderava a apuração das urnas eletrônicas, enquanto os votos em cédulas de papel demoravam a ser totalizados. Na manhã seguinte à eleição, com a entrada dos votos de Manacapuru, Mestrinho ultrapassou o petista e venceu por 405.131 votos a 382.447.
No município, a vantagem foi de 9.338 votos, com 15.086 para Mestrinho contra 5.748 de Barros. A ultrapassagem, durante uma apuração que avançou pela noite, fez voltar ao imaginário político a frase que já havia marcado outro episódio no Amazonas: “Dormiu senador e acordou eleitor”.
O histórico recua ainda mais, a 1986, quando Mário Frota liderava com larga vantagem a apuração das urnas convencionais em Manaus e nos maiores colégios eleitorais, mas foi ultrapassado por Carlos Alberto Di’ Carli no quinto dia, com a totalização dos votos dos municípios mais distantes pelo TRE-AM. Di’ Carli foi eleito com 220.865 votos, contra 199.084 de Frota, ficando atrás de Fábio Lucena, também eleito.





