Shádia defende rede privada e cobra mais recursos para a saúde

A candidata a vice-governadora do Amazonas na chapa de David Almeida, Shádia Fraxe, defendeu, nesta quarta-feira (9), a contratação de hospitais particulares como alternativa para reduzir a fila de procedimentos do Sistema de Regulação (SISREG). A declaração ocorreu durante entrevista ao programa Em Alta, da Onda Digital.
Segundo Shádia, as políticas do Sistema Único de Saúde (SUS) permitem a contratação da rede privada para ampliar a oferta de procedimentos. A proposta, de acordo com ela, seria utilizar leitos e centros cirúrgicos particulares que atualmente estão ociosos.
Cirurgias na rede privada
Para explicar a proposta, Shádia citou como exemplo a contratação de uma quantidade determinada de cirurgias de vesícula em um hospital particular. Os procedimentos poderiam ser distribuídos ao longo das semanas, com os valores negociados de acordo com a tabela do SUS.
Para Shádia, o aproveitamento da estrutura disponível na rede privada poderia contribuir para diminuir a fila de pacientes que aguardam atendimento pelo sistema público.
Durante a entrevista, ela também afirmou que existem centros cirúrgicos particulares sem utilização e que essa estrutura poderia ser aproveitada pelo poder público.
Falta de repasses para a saúde de Manaus
Durante a entrevista, Shádia Fraxe também criticou a falta de repasses do Governo do Amazonas para o cofinanciamento da farmácia básica em Manaus. Segundo a candidata, a dívida do Estado com o município ultrapassa R$ 120 milhões.
Ela explicou que o financiamento da farmácia básica e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é dividido entre União, Estado e município. De acordo com Shádia, o Ministério da Saúde é responsável por 50% dos custos, enquanto Estado e prefeitura devem arcar com 25% cada.
A candidata afirmou que os repasses estaduais não são realizados há anos e estimou que a falta de cofinanciamento ocorre desde 2013, o que representaria cerca de 13 anos.
“Infelizmente, nos últimos anos, o governo do Estado não vem cumprindo nem com o cofinanciamento da farmácia básica. Eles devem ao município mais de 120 milhões de reais de repasse para a farmácia básica e devem praticamente esse valor com o cofinanciamento do SAMU”, disse.
“Essas políticas são tripartites. O Ministério da Saúde paga 50%, o Estado 25%, o município 25%. Desde 2013 não existe esse repasse. 13 anos. E é um cofinanciamento, isso é Lei”, completou.
Candidata cobra diálogo entre secretarias de Saúde
Shádia também criticou a falta de diálogo entre as secretarias de Saúde do Amazonas e de Manaus. Segundo ela, desde a entrada do atual secretário estadual, não houve conversa entre as duas pastas.
Para a candidata, divergências políticas não devem interferir na gestão da saúde pública.
“A única secretaria que não pode ter essa rixa política é a da saúde”, afirmou.
Shádia ainda comentou a informação de que cerca de 60% dos atendimentos realizados na rede estadual teriam perfil de atenção básica. Ela disse não ter os dados para confirmar o percentual, mas avaliou que, caso a informação esteja correta, o resultado indicaria um avanço na atenção primária.
“Isso significa que a atenção primária está funcionando”, declarou.
Alerta para número de acidentes com motos
Durante a entrevista também foi abordado sobre o número de acidentes envolvendo motocicletas em Manaus. Segundo Shádia, uma terça-feira considerada atípica registrou 112 acidentes com motos.
De acordo com ela, a informação foi repassada pela ex-diretora do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A candidata ressaltou que o número pode ser ainda maior, já que parte das ocorrências não é contabilizada quando os envolvidos deixam o local sem acionar o serviço de emergência.
Para Shádia, o alto número de acidentes aumenta a pressão sobre a rede pública de saúde e os serviços de urgência.
“E não tem pronto-socorro que vá dar conta, gente”, afirmou.





