Sabatina de Lula no SBT reúne segurança, escala 6×1, maioridade penal e saidinhas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou sobre o resultado do primeiro turno, propostas econômicas, segurança pública e abertura de sigilos durante sabatina ao SBT Brasil, nesta segunda-feira (19). A entrevista foi realizada a seis dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando Lula disputa a reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ao comentar o desempenho nas urnas, Lula reconheceu que esperava um resultado mais favorável, mas negou ter subestimado a força eleitoral do adversário. O presidente disse que a campanha ganhou impulso após a votação de 4 de outubro.
“O povo está assumindo a responsabilidade da campanha, sobretudo porque quer garantir a continuidade do processo democrático!”
O presidente também rejeitou a acusação de que medidas econômicas anunciadas ou aprovadas perto da eleição tenham finalidade eleitoral. Entre os temas citados estavam o reajuste do Bolsa Família, o perdão de dívidas de microempreendedores e a proposta de transporte público gratuito nos fins de semana. Para financiar a gratuidade, Lula voltou a defender o uso de emendas parlamentares e reconheceu que a ideia pode gerar resistência no Congresso.
Ao defender o fim da escala 6×1, Lula afirmou que a jornada afeta especialmente as mulheres, que acumulam o trabalho remunerado e as tarefas domésticas. A proposta de transporte gratuito, segundo ele, permitiria que trabalhadores aproveitassem os dias de descanso para lazer e convivência familiar.
“No dia em que ela fica em casa, é o dia em que mais trabalha, porque precisa limpar a casa da semana inteira.”
Na área de segurança, Lula afirmou que a responsabilidade atual é dos governos estaduais, mas defendeu a aprovação da PEC da Segurança para ampliar a coordenação entre União, estados e municípios. Ele também confirmou que pretende criar o Ministério da Segurança Pública caso a proposta seja aprovada.
“Quem cuida da segurança pública neste país são os estados.”
Sobre a maioridade penal, Lula disse ser contra a redução para 14 anos defendida por setores da direita e manteve o apoio à responsabilização a partir dos 16 anos em casos de crimes hediondos. O presidente também defendeu as saídas temporárias para presos que atendam aos critérios legais, com restrições para condenados por crimes graves.
Lula afirmou que a “extrema-direita” queria reduzir a maioridade penal para 14 anos e voltou a defender as chamadas “saidinhas” para presos que cumpram os requisitos legais.
A sabatina também abordou uma reforma do Judiciário, com discussão sobre mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e maior participação social nas indicações. Lula ainda desafiou Flávio Bolsonaro a autorizar a abertura dos sigilos bancário e telefônico dos dois candidatos e de seus familiares. Disse que pretende encaminhar autorizações à Justiça para que os dados sejam analisados.





