Mais de 80% dos brasileiros só votam em candidatos que acreditam em Deus, diz pesquisa

Uma pesquisa inédita do Laboratório de Estudos Socioantropológicos em Política, Arte e Religião, da Universidade Federal Fluminense (UFF), revela que 81% dos brasileiros consideram fundamental que seus candidatos nas eleições acreditem em Deus. O levantamento foi apresentado nesta quinta-feira (20/08), durante o 1º Congresso Internacional e Multidisciplinar sobre Sociedade, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A percepção é mais forte entre as classes mais pobres. Entre os entrevistados com renda de até um salário mínimo, 89% defendem essa posição, contra 57% entre os que ganham de 10 a 20 salários mínimos.
A crença em Deus é maior que a confiança nas igrejas
A pesquisa mostra que a valorização da crença em Deus não se reflete automaticamente em confiança nas instituições religiosas. Sete em cada dez entrevistados concordam que Deus faz as pessoas serem melhores, e 82% defendem que as escolas devem ensinar crianças e adolescentes a acreditar em Deus.
Apesar disso, a confiança nas igrejas é menor. A Igreja Católica é a instituição religiosa com mais credibilidade no Brasil, com 56% de confiança, seguida pelas igrejas protestantes, com 51%, e pelos centros kardecistas, com 19%.
A pesquisa ouviu pessoas de diferentes classes sociais, e os resultados apontam que a religiosidade é um valor transversal na sociedade brasileira, ainda que com intensidades diferentes conforme a renda.
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Metade defende que Estado não seja laico
O estudo também revela que 54% dos entrevistados defendem que o Estado não seja laico, o que indica, segundo o levantamento, uma confusão sobre o significado da laicidade, já que a ideia de separação entre religião e Estado não é clara para parte da população.
Especialistas ouvidos pela pesquisa apontam que essa percepção está relacionada à instrumentalização da religião por movimentos políticos, especialmente de extrema direita, que se valem de valores religiosos para fortalecer projetos políticos. O desejo de retorno a um passado considerado mais ordenado e a sensação de perda de valores tradicionais alimentam essa visão.
Relação entre evangélicos e voto na extrema direita
O levantamento também confirma uma regularidade estatística entre ser evangélico e votar na extrema direita. Segundo cientistas políticos consultados pela pesquisa, essa relação não significa que a religião em si determine o voto, mas que os brasileiros tendem a votar em candidatos com quem se identificam cultural e religiosamente.
A percepção de que há uma conspiração progressista para degenerar valores morais é compartilhada por sete em cada dez candidatos no Rio de Janeiro, o que mostra como o discurso religioso é usado como ferramenta política.
A pesquisa reforça que o tema da religião ocupa papel central no comportamento eleitoral brasileiro, especialmente em um ano de eleições.





