Lula supera Flávio em discurso de patriotismo, diz Quaest

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) quando o assunto é o discurso de patriotismo e defesa dos interesses nacionais, segundo a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (5). Para 46% dos entrevistados, Lula é quem melhor representa hoje esse discurso, contra 38% que apontam Flávio. Outros 9% não escolhem nenhum dos dois, e 7% não souberam ou não responderam.
O resultado ganha relevância no contexto da disputa em torno de quem estaria defendendo melhor os interesses do país diante das tarifas de importação impostas pelo governo americano de Donald Trump, tema que passou a ocupar espaço central na pré-campanha eleitoral de 2026.
Vantagem de Lula diminuiu em relação a julho
A série histórica da pesquisa mostra oscilação no indicador nos últimos três meses. Em junho, Lula tinha 47% e Flávio, 37%. Em julho, a distância chegou ao ponto mais alto da série, com o presidente em 51% contra 34% do senador. Em agosto, porém, a vantagem de Lula recuou, e Flávio cresceu quatro pontos percentuais, reduzindo a diferença para oito pontos.
Avaliação sobre resposta ao tarifaço também pende para Lula
A pesquisa perguntou ainda se o governo Lula respondeu bem ou mal às tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos. Em agosto, 43% avaliam que a resposta foi ruim, contra 38% que consideram que foi boa. Outros 4% dizem que não foi nem boa nem ruim, e 15% não souberam responder.
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Como Lula respondeu ao tarifaço
O governo federal reagiu de forma incisiva às barreiras comerciais impostas por Washington, que somaram tarifas de 25% e 12,5%, além da renovação de taxas anteriores. Lula classificou a medida como arbitrária e sem justificativa técnica, e o governo brasileiro rebateu formalmente as críticas dos Estados Unidos a temas internos, como o Pix, políticas ambientais e decisões do Supremo Tribunal Federal (STF).
O Brasil recorreu à Organização Mundial do Comércio (OMC), alegando que os Estados Unidos violaram regras internacionais e aplicaram sobretaxas de forma unilateral, e o Palácio do Planalto chegou a ameaçar acionar a Lei de Reciprocidade Econômica. Internamente, o governo lançou o programa Brasil Soberano, com R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito subsidiadas para setores afetados, e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços intensificou missões comerciais a países do Brics e da Ásia.
Em nota oficial, a Secretaria de Comunicação (Secom) chegou a classificar parte da oposição como “falsos patriotas” e atribuiu à família Bolsonaro responsabilidade política pelas sanções externas, por interesses eleitorais.
Como Flávio Bolsonaro respondeu ao tarifaço
Flávio Bolsonaro adotou estratégia de atribuir a responsabilidade pelas tarifas à condução da política externa do governo Lula, que classificou como antiamericana. Segundo o senador, o presidente teria provocado Donald Trump com gestos como aproximação ao Irã e críticas ao dólar.
O senador viajou aos Estados Unidos e discursou por cinco minutos em audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), onde entregou um documento de 86 páginas pedindo que o Pix ficasse fora da disputa comercial. Sua principal reivindicação foi o adiamento da aplicação das tarifas em 180 dias, argumento que, segundo ele, evitaria que a medida fosse usada como vitória política por Lula antes das eleições.
Flávio também isentou o irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, de qualquer influência sobre a decisão americana, afirmando que a definição das tarifas cabe exclusivamente ao presidente dos Estados Unidos.
Como foi feita a pesquisa
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre 31 de julho e 3 de agosto de 2026, com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, e o nível de confiança é de 95%. A coleta foi realizada presencialmente, por meio de entrevistas domiciliares. O levantamento está registrado sob o número BR-06591/2026.







