O vice que pode decidir o futuro do PL no Amazonas

A poucos dias do encerramento do prazo das convenções partidárias, um dos principais pontos de incerteza das eleições de 2026 envolve o Partido Liberal (PL). Tanto no cenário nacional quanto no Amazonas, as chapas ainda convivem com uma indefinição estratégica: quem ocupará a vaga de vice.
Enquanto em Brasília a demora para anunciar o companheiro de chapa de Flávio Bolsonaro reflete dificuldades na construção de alianças nacionais, no Amazonas o cenário parece mais complexo. A ausência de um vice para a empresária Maria do Carmo Seffair pode refletir uma disputa maior: o futuro do próprio projeto do PL no Estado.
A convenção estadual do partido está marcada para 4 de agosto, um dia antes do encerramento do prazo fixado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a homologação das candidaturas. Até lá, todas as possibilidades permanecem abertas, inclusive da hipótese de desistência mesmo que já descartada diversas vezes pela própria pré-candidata.
Uma diferença importante entre Brasília e Manaus
No plano nacional, a indefinição do vice de Flávio Bolsonaro decorre principalmente da tentativa do PL de ampliar sua base de apoio. A legenda buscou nomes capazes de atrair partidos de centro e fortalecer a candidatura presidencial, mas as negociações não avançaram como esperado. Soma-se a isso o desgaste provocado pela crise pública envolvendo Flávio e Michelle Bolsonaro, episódio que expôs divergências dentro do campo conservador e reduziu o capital político da campanha em um momento decisivo.
Outro fator a se considerar, é que tanto no cenário amazonense quanto no nacional há uma falta de unidade dentro do próprio PL. Nacionalmente há uma cisão entre Flávio, que segue mais a linha do pai Jair, e Michele que leva consigo o apoio da ala feminina da direita que não gosta do filho “Zero 1”. E, localmente, temos uma mesma entre os parlamentares da legenda que apoiam a candidatura de Maria do Carmo e aqueles que seguem jogando confetes à reeleição de Roberto Cidade.
E essa divisão, nacionalmente ou aqui no Amazonas, reduz o poder de negociação da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e Maria do Carmo, o que amplia as incertezas sobre o desfecho do futuro político de ambos nessas eleições.
O silêncio alimenta as especulações
A proximidade do fim do calendário eleitoral aumenta naturalmente as especulações. Como a convenção do PL ocorrerá apenas em 4 de agosto, mesmo dia em que o União Brasil realizará a sua, o partido preserva a possibilidade de alterar completamente seu desenho eleitoral.
Assim, a principal pergunta há poucos dias da convenção do PL já não é apenas quem será o vice de Maria do Carmo, mas sim se ela continuará sendo a candidata do PL ao Governo do Amazonas.





