Fake news também pode gerar crime eleitoral

O avanço das fake news durante o período eleitoral tem aumentado a preocupação das entidades que acompanham possíveis irregularidades no Amazonas. Em entrevista ao programa Onda News, a advogada Elcilene Rocha, membro do Comitê de Combate à Corrupção Eleitoral no Amazonas, alertou que a responsabilidade pode atingir não apenas quem cria ou edita um conteúdo falso, mas também quem ajuda a disseminá-lo.
Segundo ela, o comitê tem recebido informações sobre possíveis irregularidades, embora parte das denúncias seja encaminhada diretamente pela população ao sistema Pardal, da Justiça Eleitoral, ou ao Ministério Público.
“Tenha cuidado antes de compartilhar uma informação, porque você também pode cometer um crime eleitoral”, alertou Elcilene.
A advogada explicou que a legislação eleitoral vem sendo atualizada para acompanhar novas formas de disseminação de informações falsas. Segundo ela, as regras passaram a considerar situações do ambiente digital e das novas tecnologias, incluindo conteúdos manipulados.
Inteligência artificial aumenta preocupação
Um dos pontos destacados na entrevista foi o uso de inteligência artificial para produzir conteúdos capazes de imitar a voz ou a imagem de pessoas. A tecnologia pode criar declarações falsas e atribuir a candidatos falas ou posicionamentos que nunca existiram.
Elcilene citou um caso recente, que circulou nacionalmente, envolvendo um conteúdo produzido para associar um candidato à criação de uma suposta medida relacionada ao feriado da padroeira. Segundo ela, o material foi identificado como falso e passou a ser disseminado nas redes sociais.
A situação chama atenção para o chamado conteúdo manipulado, que pode ganhar aparência de material verdadeiro justamente por utilizar recursos de inteligência artificial.
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TSE mantém informações sobre fake news
Durante a entrevista, a advogada orientou os eleitores a buscar informações em fontes oficiais antes de compartilhar conteúdos recebidos pelas redes sociais. Segundo Elcilene, o Tribunal Superior Eleitoral mantém uma área específica com esclarecimentos sobre conteúdos falsos relacionados às eleições.
A recomendação é que, diante de uma informação duvidosa, o eleitor faça a checagem antes de encaminhar o material a outras pessoas.
O alerta ganha importância na reta final das eleições, período em que a circulação de conteúdos políticos aumenta e materiais falsos podem alcançar um grande número de eleitores em pouco tempo.
Para a advogada, o cuidado deve ser redobrado porque o eleitor não precisa ser o autor original da publicação para entrar no alcance das regras eleitorais. A simples disseminação de um conteúdo sabidamente falso pode gerar consequências, dependendo das circunstâncias e do conteúdo divulgado.





