Átila Lins e Silas Câmara ficam fora da Câmara em 2027

A eleição deste domingo (4/10) encerrou a trajetória de dois dos deputados federais mais longevos da história política do Amazonas. Átila Lins (PSD) e Silas Câmara (Republicanos) não conseguiram renovar os mandatos e ficarão fora da bancada amazonense na Câmara dos Deputados a partir de 2027.
Os dois tiveram votação suficiente para figurar entre os candidatos mais votados do Estado. Átila recebeu 118.182 votos e terminou em sexto lugar na votação individual. Silas teve 93.592 votos e ficou na sétima posição. Ambos ficaram como suplentes porque as oito cadeiras do Amazonas são distribuídas pelo sistema proporcional, que considera a votação dos partidos e federações.
Átila e Silas tiveram mais votos que Saullo Vianna (MDB), eleito com 91.726, Joana Darc (União Brasil), que conquistou uma cadeira com 85.461, e Alfredo Nascimento (PL), com 59.271.
Átila encerra 35 anos de presença em Brasília
A derrota de Átila Lins encerra uma sequência iniciada em 1991. Natural de Fonte Boa, o parlamentar chegou à Câmara naquele ano e foi reeleito em todas as eleições seguintes. Em 2026, buscava o décimo mandato consecutivo como deputado federal.
Antes de chegar a Brasília, Átila exerceu três mandatos como deputado estadual, entre 1979 e 1991, presidiu a Assembleia Legislativa do Amazonas e participou da Assembleia Estadual Constituinte. Antes da disputa de 2026, somava 12 mandatos parlamentares consecutivos, nove deles federais.
Ao longo dessas décadas, Átila construiu uma base política associada ao atendimento de demandas dos municípios do interior. A relação com prefeitos, vereadores e lideranças municipais, somada à destinação de emendas, consolidou a imagem de um parlamentar com presença política fora de Manaus.
Essa estrutura, porém, não foi suficiente para garantir a permanência na Câmara. A única cadeira conquistada pelo PSD no Amazonas ficou com Sidney Leite, que recebeu 138.498 votos. Sidney, por sinal, usa a mesma estratégia criada por Átila e mantém forte atuação junto a prefeitos e vereadores do interior, mas com uma diferença: tem muitas bases eleitorais em Manaus, o que pode explicar por que superou Átila nesta eleição.
Silas e a base construída na Assembleia de Deus
Silas Câmara também deixa Brasília depois de uma longa sequência de mandatos. Chegou à Câmara em 1999 e, até 2026, havia sido eleito sete vezes consecutivas. Nesta eleição, buscava o oitavo mandato.
Sua trajetória esteve ligada à representação evangélica no Amazonas, especialmente à Assembleia de Deus, uma das principais bases de sua atuação. A influência construída junto a esse segmento religioso o manteve eleitoralmente competitivo por sucessivos ciclos políticos.
Em 2026, porém, os 93.592 votos obtidos não bastaram para uma das oito vagas. O Republicanos elegeu Amom Mandel, com 119.480 votos, e Silas ficou como suplente.
Como ocorreu com Átila, a votação individual de Silas foi superior à de candidatos que conquistaram cadeiras. Saullo Vianna, Joana Darc e Alfredo tiveram votações menores, mas foram beneficiados pela distribuição das vagas entre os partidos e federações.
Três nomes deixam a bancada
Além de Átila e Silas, a bancada amazonense perderá Capitão Alberto Neto (PL), por razão diferente. O deputado não tentou a reeleição para a Câmara e disputou uma das duas vagas do Amazonas no Senado. Terminou em terceiro lugar, com 909.155 votos, atrás de Eduardo Braga e Plínio Valério, que conquistaram as duas cadeiras em disputa.
Assim, três dos atuais integrantes da bancada federal do Amazonas não estarão na Câmara a partir de fevereiro de 2027: Átila Lins, Silas Câmara e Alberto Neto.
A nova bancada será formada por:
- Sargento Salazar (PL);
- Sidney Leite (PSD);
- Adail Filho (MDB);
- Fausto Jr. (União Brasil);
- Amom Mandel (Republicanos);
- Saullo Vianna (MDB);
- Joana Darc (União Brasil);
- Alfredo Nascimento (PL).
Salazar foi o mais votado, com 212.948 votos.





