33% dos eleitores não conhecem as propostas do seu candidato, aponta BTG/Nexus

Mesmo com a maioria dos eleitores já declarando preferência por um candidato no primeiro turno, uma parcela significativa ainda não teve contato com as propostas de seu próprio candidato em temas centrais para o país.
É o que mostra a 15ª rodada da pesquisa BTG/Nexus. Entre os entrevistados, 93% declararam intenção de votar em algum candidato no primeiro turno. Dentro desse grupo, 33% afirmam não ter tomado conhecimento das propostas de seu candidato para infraestrutura e mobilidade, o tema de menor familiaridade entre os sete pesquisados.
O percentual também é expressivo em outras áreas. Do total, 23% não tiveram contato com as propostas em saúde pública, 21% em emprego e condições de trabalho e 20% em educação pública. Em combate à corrupção, o índice é de 19%. Segurança pública e economia registram os maiores percentuais de familiaridade, ambos com 79% de conhecimento.
Conhecer o candidato não significa conhecer as propostas
Os números ajudam a separar duas dimensões da decisão eleitoral. Um eleitor pode ter escolhido um candidato e acompanhar sua campanha sem que isso signifique contato com suas propostas para cada área de governo.
A pergunta da pesquisa mede se o entrevistado chegou a tomar conhecimento das propostas, não se concorda com elas ou conhece seu conteúdo em profundidade. Por isso, os dados não permitem afirmar que os eleitores estejam votando sem conhecer os candidatos, mas apontam lacunas relevantes de informação mesmo entre quem já decidiu o voto.
Familiaridade varia conforme o candidato
O cruzamento entre intenção de voto no primeiro turno e conhecimento das propostas mostra diferenças relevantes entre os grupos de eleitores.
Entre eleitores de Renan Santos, os percentuais são os mais altos, variando de 78% a 91% conforme o tema. No outro extremo, o grupo de eleitores de outros candidatos apresenta os menores índices, entre 25% e 40%.
Entre eleitores de Lula, a familiaridade vai de 65%, em infraestrutura, a 81%, em educação pública. Entre eleitores de Flávio Bolsonaro, de 68%, em infraestrutura, a 87%, em segurança pública. Eleitores de Augusto Cury, Ronaldo Caiado e Zema registram índices intermediários, com o menor valor geral do cruzamento em infraestrutura entre eleitores de Cury, com 40%.
Leia mais
BTG/Nexus: Lula assume liderança numérica, mas empate com Flávio continua
Eduardo Bolsonaro é demitido da PF por abandono de cargo
Simulação de 2º turno indica outro padrão
Em um cenário de segundo turno estimulado entre Lula e Flávio Bolsonaro, com base em pergunta distinta da que mede a intenção de voto no primeiro turno, a familiaridade entre eleitores de Lula varia de 63% a 79%, e entre eleitores de Flávio, de 66% a 84%.
Nesse recorte, os eleitores de Flávio têm familiaridade maior em quase todos os temas, com destaque para segurança pública, com 84% contra 74%, e economia e combate à corrupção, ambos com 83% contra 74%. A exceção é educação pública, em que os eleitores de Lula lideram, com 79% contra 76%.
Esses números não permitem concluir que a maior ou menor familiaridade tenha causado a escolha por determinado candidato. O levantamento apenas registra a relação entre intenção de voto e conhecimento das propostas, seja no cenário de primeiro turno, seja na simulação de segundo turno.
Metodologia da pesquisa
A 15ª rodada da BTG/Nexus ouviu 2.006 eleitores entre os dias 18 e 20 de setembro de 2026, por telefone. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00485/2026.








