Wilson Lima fala pela primeira vez sobre compra dos respiradores durante pandemia

O ex-governador do Amazonas e candidato ao Senado Wilson Lima (União Brasil) falou publicamente, pela primeira vez em seis anos, sobre a compra de respiradores realizada pelo governo estadual durante a pandemia de Covid-19, em 2020. Em vídeo divulgado durante a campanha eleitoral, Lima contestou a forma como o episódio é apresentado por adversários políticos e afirmou que a conhecida expressão “compra de respiradores em loja de vinho” é uma “fake news”.
Segundo o candidato, a aquisição não foi feita em uma loja de vinhos, mas de uma empresa importadora que utilizava o nome fantasia Vineria Adega. Lima afirmou que a companhia tinha autorização para importar diferentes tipos de produtos, incluindo equipamentos médicos.
“A verdade é essa, o Estado comprou respiradores de uma importadora aqui do Amazonas, que tinha autorização para trazer para o Brasil vários produtos, de artigos esportivos a bebidas, passando inclusive por equipamentos médicos e hospitalares”, afirmou.
A declaração representa uma das manifestações mais diretas de Lima sobre o episódio durante a campanha. O ex-governador também reconheceu que “errou” ao responder publicamente às acusações tardiamente.
“Errei ao não ter dedicado tempo nas redes sociais para me defender quando essa fake news começou a circular lá em 2020”, disse.
No vídeo, Lima sustenta que a expressão “loja de vinho” surgiu porque a empresa FJAP, responsável pela venda dos equipamentos ao governo, utilizava o nome fantasia Vineria Adega e possuía uma loja de vinhos conhecida em Manaus.
Ele afirma ainda que documentos da Receita Federal não classificavam a empresa como uma loja de vinhos e questiona a associação feita entre a atividade comercial e a compra dos respiradores.
O candidato também defendeu a decisão de adquirir os equipamentos em meio ao agravamento da pandemia no Amazonas. Segundo ele, naquele momento havia falta de leitos, equipamentos e estrutura hospitalar no interior do Estado: “A nossa prioridade era salvar vidas”, declarou.
O ex-chefe do Executivo estadual argumentou que, diante da escassez de equipamentos médicos no mercado internacional, a rapidez na aquisição era uma preocupação central do governo naquele momento.
Ação penal no STJ
A compra dos respiradores foi alvo de investigações da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de uma CPI da Assembleia Legislativa do Amazonas.
Em abril de 2020, o governo estadual comprou 28 respiradores por cerca de R$ 2,98 milhões, de acordo com documentos analisados pela CPI. Uma proposta anterior da empresa Sonoar pelos mesmos equipamentos havia sido apresentada por aproximadamente R$ 2,48 milhões.
O caso também foi investigado pelo MPF. Segundo a denúncia recebida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2021, o sobrepreço na compra dos 28 equipamentos teria provocado prejuízo superior a R$ 2 milhões aos cofres públicos. O MPF acusou Lima de crimes como dispensa irregular de licitação, fraude em procedimento licitatório, peculato, liderança de organização criminosa e embaraço às investigações.
A Corte Especial do STJ recebeu a denúncia por unanimidade e tornou Wilson Lima réu, junto com o então vice-governador Carlos Alberto Filho e outras 12 pessoas.
Outro ponto da investigação dizia respeito à própria adequação dos respiradores. Segundo o relator da ação no STJ, havia informações indicando que os equipamentos adquiridos não teriam capacidade para atender pacientes graves de Covid-19. O ministro também destacou a participação de uma empresa de vinhos na operação.
Na época, o UOL informou que os 28 aparelhos haviam sido considerados inadequados para pacientes graves e que a compra apresentava valores muito superiores aos praticados no mercado. A investigação apontou ainda que a FJAP teria comprado os equipamentos da Sonoar por R$ 2,48 milhões e, no mesmo dia, revendido os aparelhos ao governo por aproximadamente R$ 2,98 milhões.
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No vídeo publicado, Wilson Lima procura contextualizar a decisão dentro do cenário enfrentado pelo Amazonas no início da pandemia. Ele afirma que o Estado não possuía estrutura suficiente para atender à demanda provocada pela Covid-19 e que, naquele momento, os equipamentos médicos desapareceram do mercado.
“Hoje é fácil olhar para a pandemia e apontar erros. Mas no primeiro momento, os equipamentos médicos sumiram do mercado”, afirmou.
O ex-governador também questionou por que teria participado pessoalmente da chegada dos respiradores ao aeroporto e divulgado a aquisição caso soubesse que havia irregularidades.
“Vocês acham que se a equipe da saúde tivesse comprado respirador em balcão de loja de vinho, eu teria ido receber os equipamentos no aeroporto?”, questionou.
A compra dos respiradores se tornou um dos episódios mais associados à gestão de Wilson Lima durante a pandemia e voltou ao debate político durante a campanha de 2026.
No vídeo, o candidato afirma que adversários utilizam o episódio para pedir votos e sustenta que a narrativa sobre a “loja de vinho” distorce o que ocorreu. Ele também desafia os críticos a contestarem os argumentos apresentados na gravação.
Em 2025, o STJ rejeitou uma denúncia diferente contra Lima, relacionada especificamente ao transporte aéreo dos respiradores, por entender que não havia comprovação do dolo necessário para caracterizar o crime de peculato. A decisão, contudo, tratava do transporte, não da ação penal referente à compra dos equipamentos.
A Corte Especial do STJ recebeu a denúncia por unanimidade e tornou Wilson Lima réu, junto com o então vice-governador Carlos Alberto Filho e outras 12 pessoas.





