Vereadores dizem que ação federal em Manaus para combater fumaça é “enxugar gelo”

Vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) criticaram, nesta terça-feira (13), a atuação do governo federal no combate às queimadas que provocam uma densa camada de fumaça sobre a capital amazonense nos últimos dias. Durante sessão plenária, Marco Castilhos (União Brasil) classificou as ações de autoridades que estiveram no estado como “enxugar gelo”, enquanto Rodrigo Guedes (Republicanos) considerou tímida a mobilização governamental diante da gravidade da situação.
As manifestações ocorreram após a piora da qualidade do ar na capital levar à suspensão de aulas nas redes municipal e estadual de ensino. A interrupção das atividades presenciais expôs os impactos da crise ambiental sobre a rotina da população, especialmente crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios.
A fumaça que encobre a capital nas últimas semanas está relacionada a queimadas em municípios do interior do Amazonas e em outras regiões. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontaram 3.726 focos de calor no estado em setembro de 2026, quase quatro vezes o registrado no mesmo mês do ano anterior. A estiagem e as condições climáticas contribuem para o agravamento do cenário, enquanto autoridades também apontam a ocorrência de queimadas criminosas.
Ações emergenciais
Durante o discurso, Castilhos afirmou que a presença de ministros e outras autoridades em Manaus, acompanhada de ações para combater os focos de incêndio, não resolve o problema de forma duradoura. Para ele, é necessário investir em prevenção, fiscalização e responsabilização dos envolvidos nas queimadas.
“O que se está fazendo nesse momento, que todos nós vimos aí a presença de ministros, presença aí de autoridades tentando amenizar o problema da fumaça, todos nós sabemos que isso é enxugar gelo”, declarou.
Na avaliação do parlamentar, apagar os focos de incêndio sem impedir que novas queimadas ocorram mantém a população exposta à fumaça ano após ano.
“É apagar esses focos de queimadas, onde está acontecendo, mas que isso não vai em nenhum momento travar práticas como essas que possam vir no futuro”, afirmou.
O parlamentar também destacou os prejuízos provocados pela suspensão das aulas e a exposição diária de trabalhadores que precisam circular pelas ruas da cidade.
“São poucos, senhor presidente, que têm o direito de ter um ar-condicionado em casa, de ter aparelhos aí que possam amenizar essa fumaça. A maioria da população sofre e sofre muito”, disse.
O vereador defendeu que a Câmara encaminhe requerimentos aos órgãos de fiscalização e segurança, incluindo Ministério Público, Polícia Federal e Polícia Civil, para intensificar a investigação de possíveis crimes ambientais.
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Mobilização “tímida”
Na mesma sessão, Rodrigo Guedes criticou a resposta das autoridades e afirmou que a mobilização dos governos ocorreu de maneira insuficiente diante da dimensão da crise.
“A Amazônia simplesmente pegando fogo e a gente precisando de ação, a gente precisando de reação”, declarou.
O vereador reconheceu que houve movimentação recente das esferas governamentais, mas avaliou que as medidas ainda não correspondem à necessidade da população.
“Depois de muita cobrança, depois de muito nós falarmos, cobrarmos, lutarmos, pedirmos, teve aí nos últimos dias uma leve, uma tímida, a meu ver, movimentação das esferas governamentais, dos poderes e alguma reação ao que está acontecendo, mas provavelmente insuficiente perto do que nós precisamos”, afirmou.
Guedes também questionou a necessidade de os ministros se deslocarem até o Amazonas para reconhecer a gravidade da situação, argumentando que os dados e os relatos sobre a fumaça já indicavam um cenário preocupante.
“O ministro de Meio Ambiente, ministro do Governo Federal, veio aqui ao Amazonas, esteve aqui, se eu não me engano, não está mais, e, inclusive, disse palavras que, uma frase que considera pior do que imaginava a situação”, disse.
Para o parlamentar, a experiência de respirar o ar poluído na capital pode tornar o problema mais evidente, mas as informações disponíveis já deveriam ter sinalizado a urgência de uma resposta.
Reforços
As críticas ocorreram após uma série de articulações entre os governos federal e estadual durante o fim de semana. No sábado (10), representantes das duas esferas participaram de uma reunião na sede da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) para alinhar medidas emergenciais de combate aos incêndios florestais e reduzir os impactos da fumaça.
Na mesma data, o governo do Amazonas decretou situação de emergência em 36 municípios atingidos pelos incêndios. O governo federal reconheceu o decreto e anunciou apoio às ações estaduais.
No domingo (11), os ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram áreas atingidas e acompanharam as operações em Manaus.
Na segunda-feira (12), o Ministério do Meio Ambiente informou a mobilização de 11 aeronaves e 290 brigadistas para reforçar o combate aos incêndios no Amazonas. Segundo a pasta, seis aeronaves já haviam chegado ao estado e estavam integradas às operações.
O governo federal também informou que mantém equipes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no combate aos incêndios florestais.
Governo estadual também adota medidas
No âmbito estadual, o governo do Amazonas proibiu o uso do fogo por 120 dias e ampliou as medidas de combate às queimadas. As ações incluem mobilização de equipes, fiscalização e atuação de brigadistas e bombeiros em áreas atingidas.
Apesar das iniciativas, a crise continuou afetando a qualidade do ar na capital. Na segunda-feira (12), a concentração média de partículas finas PM2,5 chegou a 135 microgramas por metro cúbico, índice classificado como “péssimo” pelo monitoramento divulgado pela Prefeitura de Manaus.
Diante da persistência das condições críticas, a prefeitura manteve suspensas as aulas da rede municipal nesta terça-feira (13). A medida se soma à suspensão de atividades presenciais adotada anteriormente por instituições de ensino diante da exposição à fumaça.
As críticas dos vereadores colocam em evidência a cobrança por resultados que ultrapassem as ações emergenciais. Enquanto as equipes atuam para conter os incêndios em diferentes áreas do estado, os parlamentares defendem maior prevenção, fiscalização e responsabilização para evitar que a população volte a enfrentar o mesmo cenário nos próximos períodos de estiagem.





