Se eleito, David Almeida quer transformar Cidade Universitária em projeto habitacional

O ex-prefeito de Manaus e candidato ao governo do Amazonas David Almeida (Avante) afirmou nesta quarta-feira (19) que, caso seja eleito governador, não dará continuidade ao projeto da Cidade Universitária da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus.
Em entrevista à rádio FM do Povo, o candidato classificou o empreendimento como um projeto “mal concebido” e disse que pretende transformar a área em um espaço destinado à habitação.
“A Cidade Universitária foi um projeto mal concebido que não vai ter segmento na minha gestão como governador. Ali pode ser feito, sabe o quê? Habitacionais. Eu vou levar habitação para aquele lugar, levar uns prédios habitacionais, dar habitação de qualidade para a população”, declarou.
David afirmou ainda que não pretende investir mais recursos na conclusão do projeto original. Segundo ele, o Estado já destinou cerca de R$ 200 milhões à iniciativa e, na avaliação apresentada durante a entrevista, seriam necessários mais de R$ 500 milhões para corrigir e concluir a estrutura.
“O que não deu certo, não dá para continuar. Essa é a realidade do momento”, afirmou.
Ao defender o abandono do projeto original, David Almeida propôs utilizar o terreno para a construção de conjuntos habitacionais.
“Vou fazer ali investimentos em habitação para que a gente possa diminuir o déficit habitacional do Estado do Amazonas”, disse.
A proposta muda a finalidade originalmente prevista para o empreendimento, planejado como um complexo voltado à educação, tecnologia, serviços e outras estruturas.
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Projeto foi lançado por Omar Aziz em 2012
A Cidade Universitária foi apresentada oficialmente pelo então governador Omar Aziz, hoje senador e também candidato ao governo estadual pelo PSD, em julho de 2012, como um dos grandes projetos de expansão da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
O empreendimento foi planejado para ocupar uma área de aproximadamente 13 milhões de metros quadrados em Iranduba, na margem direita do rio Negro. A proposta inicial previa reunir unidades acadêmicas da UEA que funcionavam em Manaus, além de alojamento para 2 mil estudantes.
O projeto, porém, ia além de um campus universitário. O plano previa uma estrutura semelhante a uma nova área urbana, com moradias, comércio, serviços públicos, áreas de lazer, turismo, vias de acesso, hospital universitário, vila olímpica, centro tecnológico e outros equipamentos. O investimento inicial anunciado pelo governo em 2012 era de R$ 300 milhões.
A primeira etapa deveria ser concluída no primeiro semestre de 2014, conforme o planejamento divulgado à época.
Obra parou e virou alvo de órgãos de controle
A construção avançou parcialmente, mas não chegou a ser concluída. Em fevereiro de 2018, uma vistoria realizada pelo Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM), acompanhada por técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), constatou que a obra estava parada.
Naquele momento, o MPC instaurou procedimento para apurar as causas da paralisação, mencionando distrato contratual, insuficiência financeiro-orçamentária e indefinição do governo sobre o destino da estrutura já construída.
O empreendimento também foi alvo de questionamentos relacionados ao impacto ambiental. Em 2016, o MPC-AM encaminhou representação ao TCE-AM para apurar possíveis danos provocados pela execução das obras. O órgão citou problemas como erosão, áreas degradadas, sistema de drenagem inacabado e outras falhas apontadas em fiscalização ambiental.
TCE-AM apontou irregularidades e determinou devoluções
A situação da obra também chegou ao Tribunal de Contas do Amazonas. Em acórdão publicado em janeiro de 2024, o TCE-AM julgou procedente uma representação sobre a construção da Cidade Universitária e apontou irregularidades identificadas em relatório técnico.
Entre as determinações, o tribunal estabeleceu valores de alcance/glosa a serem ressarcidos: R$ 1,22 milhão atribuídos solidariamente à então secretária da Seinfra Waldivia Ferreira Alencar e à empresa EDEC Engenharia, e outros R$ 595,2 mil envolvendo o fiscal da Seinfra Emerson Redig de Oliveira e a mesma empresa.
Além da paralisação, o empreendimento acumulou questionamentos administrativos, financeiros e ambientais ao longo dos anos.





