PSDB não terá candidato à Presidência em 2026

O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves, anunciou nesta quinta-feira (9) que não disputará a Presidência da República nas eleições de 2026. Com a decisão, o partido caminha para ficar, pela primeira vez desde a redemocratização, sem candidato próprio ao Palácio do Planalto, em cenário marcado pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Em entrevista ao Estadão, Aécio afirmou que o partido entende que a eleição de 2026 continuará dominada pela polarização política. Segundo ele, a prioridade da legenda será investir em um projeto de fortalecimento nacional com foco nas eleições de 2030, o que exige reorganização interna e fortalecimento das bases estaduais, em vez de uma candidatura presidencial sem viabilidade eleitoral.
O dirigente também indicou que o PSDB não deverá declarar apoio a nenhum dos dois principais polos políticos em um eventual segundo turno. A orientação, segundo Aécio, é preservar a independência da legenda, evitando alinhamento automático tanto ao projeto liderado por Lula quanto ao grupo político representado por Flávio Bolsonaro.
Embora tenha descartado a corrida ao Planalto, Aécio não fechou as portas para disputar uma vaga no Senado por Minas Gerais. Ele afirmou, no entanto, que qualquer decisão eleitoral dependerá da necessidade do partido e reforçou que sua principal missão, neste momento, é conduzir a reestruturação do PSDB.
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Mudança na trajetória do partido
A definição representa uma mudança significativa na trajetória do PSDB. Entre 1994 e 2014, o partido esteve presente em todas as disputas presidenciais, elegendo Fernando Henrique Cardoso por dois mandatos e chegando ao segundo turno em diversas eleições. Nos últimos anos, entretanto, a legenda perdeu espaço no cenário nacional, com redução de sua bancada no Congresso e do número de governos estaduais.
A desistência de Aécio ocorre após semanas de especulações sobre uma possível candidatura tucana, hipótese discutida por dirigentes diante das movimentações da pré-campanha presidencial. A avaliação predominante dentro do partido, contudo, passou a ser a de que lançar um candidato próprio teria baixo potencial competitivo diante da atual configuração política.
Com isso, o PSDB concentra seus esforços nas disputas estaduais e proporcionais de 2026, enquanto adia a construção de um projeto presidencial para o próximo ciclo eleitoral.





