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Grupo criminoso é investigado por utilizar servidores públicos para facilitar o tráfico e lavar dinheiro no AM

Objetivo da investigação é "combater tentáculos do crime organizado na administração pública", segundo a polícia
20/02/26 às 13:32h
Grupo criminoso é investigado por utilizar servidores públicos para facilitar o tráfico e lavar dinheiro no AM

(Foto: Reprodução)

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrou na madrugada desta sexta-feira (20/2) a Operação Erga Omnes, que desarticulou um grupo criminoso que se infiltrou na administração do Amazonas e de outros estados para facilitar o tráfico de drogas e lavar dinheiro.

Segundo o delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), a investigação, iniciada em agosto do ano passado com base em relatórios do Coaf, identificou movimentação de R$ 70 milhões em quatro anos. Empresas de fachada do ramo de logística, no Amazonas e no Pará, eram usadas para simular transporte legal e enviar drogas adquiridas em Tabatinga para outros estados.

Foram cumpridos 13 dos 24 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão em cinco estados. Há 11 foragidos. Entre os investigados estão ex-assessores parlamentares de vereadores de Manaus, de deputados estaduais, servidores do Executivo municipal, um integrante do Poder Judiciário, além de uma policial civil e um policial militar.

Segundo a polícia, o líder da organização criminosa, Alan Kléber, está foragido.

Apreensão de drogas

As investigações tiveram início após uma apreensão de grande porte em ação policial anterior, ocasião em que foram localizados mais de 500 tabletes de maconha skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas no transporte da droga, um veículo utilitário empregado na logística terrestre, além de aparelhos celulares. Um dos envolvidos foi preso em flagrante na ocasião.

A partir desse fato, foi instaurado inquérito policial com o objetivo de identificar a cadeia de comando, operadores logísticos, financiadores e colaboradores do esquema criminoso. As diligências apontaram que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e estruturação em núcleos operacional, financeiro e de apoio logístico.

Segundo a PC-AM, a organização utilizava rotas fluviais e terrestres para o transporte de entorpecentes, bem como veículos alugados em nome de terceiros para dificultar o rastreamento. Também foi identificado o uso de empresas formalmente registradas nos ramos de transporte e locação, com indícios de funcionamento apenas documental, utilizadas para movimentação e ocultação de valores de origem ilícita.

Relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações bancárias atípicas de elevado valor, com transferências entre investigados, empresas vinculadas ao grupo e pessoas situadas em diversos estados. As análises indicam incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica declarada pelos envolvidos.

Esquema interestadual

As apurações identificaram ramificações interestaduais com transações suspeitas e vínculos com investigados no Amazonas, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Piauí e São Paulo, evidenciando uma rede ampliada de fornecimento, financiamento e distribuição de drogas.

Com autorização judicial, foi realizada a extração de dados telemáticos de aparelhos celulares, o que contribuiu para o mapeamento das conexões entre os investigados, bem como da estrutura financeira e da logística criminosa. Os elementos reunidos apontam ainda indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais, fato que segue sob apuração específica.

Com base nas investigações, a PC-AM representou ao Poder Judiciário pela adoção de medidas cautelares, incluindo mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, quebra de sigilo bancário e fiscal, bloqueio e sequestro de bens e valores, além de outras medidas investigativas complementares.

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