Nikolas e Janones: a disputa digital por trás das campanhas de Lula e Flávio

Nas últimas semanas, o foco central das campanhas presidenciais mirou as mídias digitais para o segundo turno das eleições presidenciais, com campanhas de “vira voto”, mobilização para atos políticos, propagandas eleitorais em formatos verticais com milhões de visualizações e conversão de seguidores no Instagram para canais de WhatsApp.
Nessa avalanche de conteúdo, dois nomes se destacaram em ambos os lados políticos. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) e o deputado federal André Janones (REDE), os dois curiosamente de Minas Gerais.
As redes sociais e plataformas de conteúdo digital tomaram de vez o protagonismo das manifestações políticas, influenciando as massas pelo país, principalmente nas capitais, por conta da melhor qualidade de internet nessas localidades, mas essa mudança não foi de uma hora para outra.
Pelo menos desde as eleições de 2014 temos uma presença relevante das mídias digitais nos debates políticos, que só foi crescendo com o aperfeiçoamento dos algoritmos, surgimento de novos nomes na política com expertise na área e adaptação na comunicação de alguns parlamentares para o mundo digital.
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No primeiro turno das eleições de 2026, tivemos uma larga vantagem da direita que, a partir de 2027, terá maioria no Senado e na Câmara dos Deputados e um dos principais motivos foi a aposta em jovens. Dentre os mais novos do PL, se destaca Nikolas Ferreira, que desde 2018 tem um engajamento impressionante.
Nikolas Ferreira está usando a máquina de tráfego nas redes para promover a campanha de Flávio Bolsonaro, com vídeos curtos em fundo preto, stories provocativos contra o PT, divulgação do canal de WhatsApp “Tropa do Flávio” e a organização do “Bloquinho 22”.
A vantagem do PL sobre o PT no primeiro turno pode ser explicada pela diferença entre as campanhas digitais. A campanha de Lula no início do pleito foi dispersa, enquanto Flávio usou todas as ferramentas, incluindo a maior delas… o Instagram de Nikolas.
Mas não é por ter sido dispersa que a campanha de Lula não tem nomes de destaque. As deputadas federais Ana Elisa (PT-MG), Érika Hilton (PSOL-SP) e o deputado federal André Janones formaram uma união nas semanas após o primeiro turno para fazer frente ao PL.
Janones seguiu uma estratégia diferente e até inovadora: vídeos simples usando uma linguagem chamativa e informal para passar visões mais claras e ordens para a militância nas redes. O deputado não parou por aí e abriu o canal de WhatsApp chamado “Exército do Lula”, que, a poucos dias da eleição, atingiu o número de 7 milhões de seguidores. Isso rapidamente, chamou a atenção de Janja e da equipe de Lula, que colocou Janones como principal nome da comunicação digital na campanha.
Assim como o Instagram de Nikolas, o canal de Janones no WhatsApp virou a principal ferramenta digital das campanhas. Mas por que as principais ferramentas? Visto que tanto Lula como Flávio Bolsonaro têm bons números nas redes sociais. A explicação é que as páginas dos candidatos estão sob forte vigilância do TSE e da Meta durante as eleições, para garantia de isonomia. Logo, as equipes das campanhas de Flávio e Lula intensificaram a distribuição de conteúdos por outras ferramentas.
Mesmo com o fim das eleições, ambos os movimentos são marcantes, pois representam a consolidação de uma base forte de seguidores ao redor do país. Isso gera aumento de capital político e influência, algo importante para os lados que buscam nomes fortes para concorrer à Presidência no futuro. A posição como estrategistas digitais em 2026 pode representar algo maior. Em um mundo movido por algoritmos e métricas, quem os domina tende a ter mais poder.





