Lula: “Querem cassar o Moraes, não por conta do Master, mas porque ele prendeu o pai do Flávio”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista à TV Globo, que setores da extrema-direita querem afastar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não apenas por causa das revelações envolvendo o Banco Master, mas pela atuação do magistrado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do senador e candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
“Obviamente que a extrema-direita tenta jogar a Suprema Corte nas minhas costas, porque eles querem cassar o Alexandre de Moraes, não é por conta do Banco Master apenas. Eles querem cassar o Alexandre de Moraes, porque o Alexandre de Moraes prendeu o pai do Flávio Bolsonaro”, declarou Lula.
Pedido de vista de Dino
Na entrevista, o presidente também comentou o pedido de vista do ministro Flávio Dino em um julgamento relacionado ao caso. Questionado sobre a possibilidade de o adiamento dificultar a apuração da conduta de Moraes, Lula afirmou que não tem como interferir nas decisões dos integrantes do Supremo.
Segundo ele, Dino teria pedido vista para que os envolvidos fossem julgados na mesma sessão, diante das denúncias relacionadas ao caso. Lula disse não ter conhecimento jurídico para avaliar se a decisão foi correta, mas defendeu que todas as responsabilidades sejam investigadas.
“Não é possível imaginar que a sociedade brasileira vai aceitar que não seja apurado tudo e sobre tudo e que não fique pedra sobre pedra e que se puna quem precisar punir”, afirmou.
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Reforma do Judiciário
Ao comentar as suspeitas e os questionamentos envolvendo ministros do STF e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Lula declarou que o episódio deve levar a uma nova discussão sobre a estrutura do Poder Judiciário.
O presidente defendeu o debate sobre os critérios de escolha dos ministros da Suprema Corte, a adoção de mandatos e possíveis restrições à atuação de magistrados que tenham escritórios de advocacia com interesses perante o próprio tribunal.
“Essa confusão toda trouxe um debate que será irreversível. Será irreversível no próximo ano”, disse Lula, ao sustentar que o país precisará discutir uma nova reforma do Judiciário.
Ele também lembrou a reforma realizada durante seu primeiro mandato, com participação do então presidente do STF, Nelson Jobim, e do então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.





