Herpes-zóster, o “cobreiro”, pode deixar sequelas por anos; entenda

Nos últimos anos, o número de casos de herpes-zóster tem crescido em vários países, incluindo o Brasil. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doença dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), uma em cada três pessoas do mundo desenvolverão a doença em algum momento da vida.
A herpes-zóster atinge principalmente pessoas de idade avançada, devido à baixa natural da imunidade do corpo que ocorre com o processo de envelhecimento. Assim, é uma doença que vem acompanhando o envelhecimento das populações em todo o mundo. No entanto, também pode atingir pessoas mais jovens e ser desencadeada por estresse intenso e imunosupressão.
Para esclarecer sobre a doença, a Onda Digital falou com Suzi Maron, médica dermatologista, especialista em cosmiatria e abordagem tridimensional, speaker e palestrante internacional.

Leia mais:
Barbas podem ter mais bactérias do que vaso sanitário? Veja o que diz a ciência
Sabe o que é Barriga d’água: conheça os sinais da doença ligada à falta de saneamento
O que é o herpes-zóster e como se adquire?
O herpes-zóster, popularmente conhecido como “cobreiro”, é uma doença causada pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo responsável pela catapora. Após a infecção inicial, geralmente ocorrida na infância, o vírus permanece “adormecido” em gânglios nervosos do organismo e pode ser reativado anos ou décadas depois.
Essa reativação costuma ocorrer quando há redução da imunidade, seja pelo envelhecimento natural, estresse intenso, doenças crônicas, uso de medicamentos imunossupressores ou outras condições que enfraquecem as defesas do organismo.
A doença se manifesta por meio de dor, ardência ou formigamento em uma região específica do corpo, seguidos pelo aparecimento de pequenas bolhas agrupadas sobre uma área avermelhada da pele.
Como o herpes-zóster se diferencia do herpes considerado IST?
Embora ambos pertençam à família dos herpesvírus, são doenças diferentes. O herpes-zóster é causado pelo vírus varicela-zóster e representa a reativação de uma infecção prévia por catapora. Não é considerado uma infecção sexualmente transmissível. Já o herpes simples, frequentemente associado à transmissão sexual quando acomete a região genital, é causado pelos vírus Herpes simplex tipo 1 (HSV-1) ou tipo 2 (HSV-2).
Outra diferença importante é que o herpes-zóster costuma seguir o trajeto de um nervo, afetando apenas um lado do corpo, enquanto o herpes simples geralmente provoca lesões recorrentes nos lábios ou na região genital.
A doença é contagiosa?
A herpes-zóster possui baixo poder de transmissão e geralmente não é contagiosa. Mas é possível transmitir o vírus através do contato direto com as lesões da pele da pessoa infectada.
A doença só é contagiosa na fase em que as bolhas se formam. Quando elas se rompem, o fluido que elas contêm pode conter o vírus, que pode ser transmitido por contato direto ou, mais raramente, pela inalação do vírus. Porém, a pessoa contagiada acaba desenvolvendo catapora, e não herpes-zóster. Quando as bolhas secam e formam uma crosta, não há mais chance de contágio.
Quais são os possíveis tratamentos?
O tratamento é mais eficaz quando iniciado nas primeiras 72 horas após o aparecimento das lesões. Os medicamentos antivirais, como aciclovir, valaciclovir e fanciclovir, ajudam a reduzir a duração da doença, a intensidade dos sintomas e o risco de complicações. Além disso, podem ser utilizados analgésicos, anti-inflamatórios e medicamentos específicos para controle da dor neuropática, quando necessário.
O acompanhamento médico é fundamental para individualizar a abordagem de acordo com a idade do paciente, extensão das lesões e presença de doenças associadas.
Quando o herpes-zóster pode se tornar um problema neurológico?
O vírus tem afinidade pelos nervos, razão pela qual a dor costuma ser um dos principais sintomas da doença. A complicação neurológica mais comum é a neuralgia pós-herpética, caracterizada pela persistência da dor por meses ou até anos após o desaparecimento das lesões cutâneas. Esse risco é maior em pessoas acima dos 50 anos.
Em situações menos frequentes, o herpes-zóster pode causar complicações mais graves, como comprometimento de nervos cranianos, paralisia facial, alterações visuais quando acomete a região dos olhos, meningite ou encefalite. Por isso, o diagnóstico precoce e o início rápido do tratamento são fundamentais.
Quais são as formas de prevenção?
A principal forma de prevenção é a vacinação. Atualmente existem vacinas capazes de reduzir significativamente o risco de desenvolver herpes-zóster e suas complicações, especialmente a neuralgia pós-herpética. A imunização é particularmente recomendada para adultos acima dos 50 anos e para grupos específicos com maior risco de imunossupressão, conforme orientação médica.
Além da vacinação, manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas e buscar estratégias para redução do estresse também contribuem para o bom funcionamento do sistema imunológico.





