‘É através dos ‘gatos’ que as pessoas sobrevivem’, diz Vanda Witoto

A candidata a deputada federal Vanda Witoto (MDB) criticou, durante entrevista ao programa Em Alta, da Rede Onda Digital, nesta quinta-feira (3/9), a falta de políticas públicas voltadas às populações periféricas e do interior do Amazonas.
Entre os principais problemas apontados por ela estão o alto custo da energia elétrica, a falta de acesso à água tratada e a ausência de políticas efetivas para enfrentar as mudanças climáticas.
Contas de energia
Vanda Witoto afirmou que o alto valor das contas de energia dificulta o acesso regular ao serviço para famílias em situação de vulnerabilidade. Segundo a candidata, algumas contas chegam a R$ 500, R$ 600 e até R$ 1 mil, levando moradores de áreas periféricas a recorrerem a ligações clandestinas.
“Porque a gente não consegue pagar uma conta de R$ 500, R$ 600, de R$ 1 mil. Se a gente põe uma energia irregular, eu não sou a favor das coisas irregulares, não. Mas, quando a gente olha para a realidade periférica, é através dos “gatos” que as pessoas sobrevivem, com um ventilador para tentar suportar esse calor”, disse.
A candidata afirmou que não defende ligações irregulares, mas argumentou que o poder público precisa considerar a realidade econômica das famílias que recorrem aos chamados “gatos” para ter acesso à eletricidade.
Vanda também defendeu que essas pessoas não sejam criminalizadas e cobrou medidas que ampliem o acesso à energia elétrica por meio de tarifas mais acessíveis para famílias de baixa renda.
“Então, a gente não pode criminalizar essas pessoas. O Estado tem a responsabilidade de criar condições para essas pessoas que estão em condição de vulnerabilidade, com uma tarifa social de energia mais em conta, para que elas possam pagar e ter uma energia boa para elas usufruírem também”, completou.
Falta de água tratada preocupa moradores do interior
Vanda Witoto também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas por comunidades ribeirinhas e moradores do interior do Amazonas durante o período de vazante dos rios.
Segundo a candidata, muitas famílias não têm acesso à água tratada e dependem diretamente da água dos rios para o consumo doméstico. Ela afirmou que, durante a vazante, a qualidade da água piora e moradores chegam a consumir água barrenta.
“Porque, se a gente vai ao interior, essa população não tem acesso à água tratada. No período de vazante, as pessoas já estão tomando lama, porque a população do interior do Amazonas toma lama em suas casas. Isso acontece porque a água que é captada não tem tratamento: vai diretamente do rio para a casa das pessoas”, disse.
A candidata também mencionou dados de um relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) sobre a violência contra os povos indígenas. De acordo com Vanda, o Amazonas apresenta um número elevado de mortes de crianças de 0 a 4 anos associadas a problemas como diarreia, desnutrição e vômitos.
Para ela, a falta de saneamento e de acesso à água tratada também afeta outras populações que vivem fora da capital, além dos povos indígenas.
Vanda cobra políticas para mudanças climáticas
Durante a entrevista, Vanda Witoto também criticou a falta de propostas de lideranças políticas do Amazonas para enfrentar os impactos das mudanças climáticas.
A candidata afirmou que a pauta ambiental ainda enfrenta resistência entre candidatos e governos e defendeu que o tema seja tratado como prioridade nas políticas públicas do estado.
“Primeiro, porque a nossa região e os candidatos têm muita resistência à pauta ambiental, a essa pauta climática, que é transversal à proteção dos territórios e à questão climática”, disse.
Vanda afirmou ainda que a questão climática não recebe a atenção necessária durante o debate político regional.
“E eu sempre ouço aqui: “A pauta ambiental e climática não dá voto”. De fato, essa é uma agenda que, na região, não é prioridade. Eu não vejo governos que estão se propondo à candidatura, deputados federais e estaduais colocando isso como uma prioridade”, completou.
A candidata citou ainda um dado atribuído à Universidade de Oxford que aponta o Amazonas e Manaus entre as regiões mais sensíveis aos efeitos das mudanças climáticas.
Diante desse cenário, Vanda defendeu a criação de políticas específicas para reduzir os impactos das mudanças climáticas e preparar a população para eventos extremos.
Para a candidata, o Amazonas precisa de um programa efetivo de enfrentamento e adaptação climática, com ações voltadas principalmente às populações mais vulneráveis.





