Derrota nas urnas deixa Flávio Bolsonaro sem mandato e foro privilegiado

A derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial de 2026 encerra uma trajetória de 24 anos em cargos eletivos. Após quatro mandatos como deputado estadual e um como senador, ele deixará o Congresso em 31 de janeiro de 2027, sem disputar a reeleição ao Senado. Com isso, perderá o foro associado ao cargo, embora algumas investigações possam continuar no Supremo Tribunal Federal (STF).
Flávio recebeu 59.826.041 votos (48,21% dos válidos), enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito com 64.256.232 (51,79%), diferença de cerca de 4,43 milhões de votos. No primeiro turno, o senador havia ficado à frente, com 47,03%, contra 45,16% de Lula.
Investigações no STF
Entre as apurações envolvendo Flávio estão o financiamento do filme Dark Horse, suspeitas sobre relações financeiras com o advogado e empresário Willer Tomaz e uma investigação por possível calúnia contra Lula.
No caso de Dark Horse, a Polícia Federal apura repasses atribuídos a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para a produção do filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio confirmou ter procurado o banqueiro em busca de investimentos, mas negou oferecer vantagens indevidas. A investigação está sob relatoria do ministro André Mendonça.
Outra apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a empresas de apostas e pagamentos digitais, no contexto das relações financeiras entre Flávio e Willer Tomaz. O senador nega irregularidades.
A investigação por possível calúnia contra Lula envolve uma publicação de Flávio na rede social X, em janeiro de 2026, na qual associou o presidente a supostos crimes após a captura de Nicolás Maduro, na Venezuela. Segundo as informações apresentadas, a Polícia Federal apontou elementos para atribuir ao senador a possível prática de calúnia.
As investigações não comprovam culpa, e eventual responsabilização depende da análise das provas.
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Perda do foro
O fim do mandato não significa que todos os inquéritos serão enviados à primeira instância. Em março de 2025, o STF estabeleceu que o foro pode ser mantido após a saída do cargo quando os supostos crimes foram cometidos durante o mandato e estão relacionados às funções exercidas.
Caberá ao Supremo avaliar cada caso e decidir se as investigações permanecem no tribunal ou seguem para outra instância.





