Democratas conquistam maioria no Congresso e impõem derrota a Trump

Os democratas conquistaram maioria nas disputas pelo Senado e pela Câmara dos Representantes dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3/11). O resultado representa uma derrota política para o presidente Donald Trump, que mobilizou eleitores republicanos na tentativa de manter o controle do Congresso.
As projeções divulgadas durante a apuração apontavam 54 cadeiras para os democratas e 44 para os republicanos no Senado. Na Câmara dos Representantes, a vantagem também era dos democratas, com 220 assentos, contra 136 dos republicanos.
Na disputa pelos governos estaduais, os democratas apareciam com 28 governadores eleitos, enquanto os republicanos tinham 20.
A mudança na composição do Congresso pode dificultar a aprovação de projetos defendidos por Trump e ampliar a pressão política sobre o governo. O resultado também influencia a capacidade dos parlamentares de fiscalizar as ações do Executivo.
O que estava em disputa
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, ocorrem dois anos após a escolha do presidente e renovam parte do Congresso e dos governos estaduais. Diferentemente da eleição presidencial, não há disputa pela Casa Branca nesse pleito.
Em 2026, estavam em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes, 35 das 100 vagas do Senado e 36 governos estaduais.
Na Câmara, os deputados cumprem mandatos de dois anos e representam distritos eleitorais distribuídos pelos estados conforme o tamanho da população. Para controlar a Casa, um partido precisa conquistar pelo menos 218 cadeiras.
No Senado, cada estado tem dois representantes, com mandatos de seis anos. As vagas são divididas em três grupos, renovados em eleições alternadas. Por isso, apenas 35 cadeiras foram submetidas à votação neste ano.
O Congresso tem papel central na aprovação de leis federais, na análise do orçamento e na fiscalização do governo. Com maioria nas duas casas, os democratas passam a ter maior capacidade de influenciar as decisões legislativas e questionar medidas da administração Trump.
Trump intensificou campanha
Na véspera da votação, Trump intensificou os apelos aos eleitores republicanos para tentar preservar o controle do Congresso. Em discurso de aproximadamente 50 minutos no espelho-d’água do Lincoln Memorial, em Washington, na segunda-feira (2), o presidente classificou a eleição como a mais importante da vida dos americanos e voltou a criticar os democratas.
“O Partido Democrata indicou a lista de candidatos mais extremista e perigosa da história americana”, declarou.
Trump também acusou os adversários de defenderem fronteiras abertas, aumento de impostos, restrições ao porte de armas e políticas que, segundo ele, elevariam os custos de energia e ampliariam a imigração.
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Ao defender sua administração, o republicano afirmou que os Estados Unidos vivem uma “era de ouro” e destacou o desempenho econômico do governo. Ele também pediu que os apoiadores tratassem a votação como se o próprio presidente estivesse concorrendo.
A campanha ocorreu em meio ao desgaste da administração republicana, marcado pela insatisfação de parte do eleitorado com o custo de vida e pela queda na aprovação do governo.
Apuração
Apesar dos primeiros resultados divulgados na noite de terça-feira, a definição completa da composição do Congresso pode levar mais tempo.
Nas eleições de 2022 e 2024, por exemplo, o controle da Câmara dos Representantes só foi definido após oito dias de apuração.
A votação também incluiu propostas submetidas diretamente aos eleitores, conhecidas como ballot measures, sobre temas como administração eleitoral e acesso ao aborto.





