“Brazil Core” pode transformar Copa do Mundo em vitrine global da cultura brasileira

A estética conhecida como “Brazil Core” voltou ao centro das atenções internacionais e promete ganhar ainda mais força com a aproximação da Copa do Mundo de 2026. Nas redes sociais, plataformas como TikTok, Instagram e Pinterest registram milhões de visualizações relacionadas ao tema.
A expectativa é que o Mundial, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México, impulsione ainda mais o interesse pela imagem do Brasil. Quando o assunto é futebol, o Brasil é uma referência mundial graças ao futebol-arte da Seleção Brasileira e, principalmente, por ser o único país pentacampeão da Copa do Mundo.
Nos países que sediarão o Mundial de 2026, a popularidade da Seleção Canarinho frequentemente supera a de algumas das próprias seleções anfitriãs, como Estados Unidos e Canadá. No México, embora a seleção nacional seja a grande paixão popular, a Amarelinha mantém uma forte presença no imaginário dos torcedores, muito por causa de Pelé, que conquistou o terceiro título mundial no histórico Estádio Azteca.

Segundo análise da influenciadora e pesquisadora de moda Marcela Carrasco, que produziu um vídeo explicando o fenômeno, o sucesso do Brazil Core vai além das roupas.
Para ela, diferentemente de países como França ou Reino Unido, que possuem códigos estéticos mais facilmente reconhecidos, o Brasil enfrenta um desafio: definir uma única imagem para uma nação marcada pela diversidade cultural.
“O Brasil é praticamente um continente. Existem diferentes culturas, corpos, hábitos e formas de vestir espalhados pelo país. Por isso, reduzir a moda brasileira a uma única estética é uma tarefa complexa”, argumenta.

A influenciadora destaca que a moda brasileira passou décadas buscando referências externas, especialmente europeias, antes de construir uma identidade própria. Ao longo do século 20, vestir-se bem era associado a reproduzir tendências vindas de Paris e de outros centros da moda internacional.
Somente a partir da consolidação da indústria têxtil nacional, dos grandes eventos de moda e da projeção internacional de modelos brasileiras, como Gisele Bündchen, o país começou a desenvolver uma imagem mais autêntica no cenário global.
A ascensão do Brazil Core também chama atenção por resgatar símbolos que, durante muito tempo, foram associados às periferias brasileiras. Chinelos, peças coloridas, estampas tropicais e acessórios chamativos passaram a ser valorizados por grandes marcas internacionais e influenciadores estrangeiros.

O movimento ganhou ainda mais visibilidade quando celebridades internacionais começaram a utilizar camisas da seleção brasileira em produções de moda. Para Carrasco, a atenção internacional representa uma oportunidade econômica para o país. Ela defende que moda, música, turismo, gastronomia e entretenimento devem ser vistos como partes de uma mesma estratégia de promoção da marca Brasil.
“A cultura gera desejo. O desejo gera consumo. E o consumo movimenta a economia”, resume a especialista.
Historicamente, as Copas do Mundo funcionam como vitrines culturais capazes de ampliar a influência internacional dos países participantes.
Com a proximidade do Mundial de 2026, especialistas avaliam que o Brazil Core pode fortalecer o chamado “soft power” brasileiro, conceito que mede a capacidade de um país influenciar o mundo por meio da cultura, da moda, da música, do turismo e do entretenimento.
A Nike, fornecedora da Seleção Brasileira, aproveitou a oportunidade e lançou uma collab inédita do time comandado por Vini Jr, Raphinha e cia com a marca americana Jordan Brand, famosa por fabricar os tênis do ídolo do basquete, Michael Jordan. De acordo com as empresas, a colaboração faz parte da estratégia de ampliar a presença da Jordan Brand no futebol e fortalecer a conexão da marca com torcedores e atletas em diferentes mercados.
“Eu vejo a Jordan não como a pessoa do Jordan, eu vejo a Jordan como uma marca muito grande nos Estados Unidos e a gente nesse processo de internacionalização da nossa marca da CBF, da Seleção Brasileira, é muito importante para os negócios e para a questão de parcerias com grandes empresas.”, disse Samir Xaud, presidente da CBF.






