“As pessoas têm o direito de se defenderem”, diz Flávio sobre aliados presos

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) foi questionado sobre a prisão de aliados políticos no Rio de Janeiro e defendeu que pessoas envolvidas com organizações criminosas sejam punidas dentro da lei. A declaração foi feita durante sabatina da TV Globo, nesta sexta-feira (16/10), após a jornalista Renata Lo Prete citar investigações envolvendo nomes próximos ao senador.
“Surpreenderam e acho que as pessoas têm o direito de se defenderem e provar a sua inocência, que é o que eu espero que todos eles façam”, afirmou Flávio, ao responder se as revelações sobre políticos com quem conviveu de perto o haviam surpreendido.
Na sequência, o candidato disse que não deve haver proteção para quem comete crimes. “Agora não tem que passar a mão na cabeça de ninguém não, Renata. Se a pessoa cometeu algo de errado, ela vai ter que responder por isso”, declarou.
O senador também mencionou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) ao defender punições mais rigorosas para pessoas comprovadamente envolvidas com essas organizações. “E no meu governo, terá pena mais dura, vai ficar mais tempo preso”, disse.
Aliados citados na sabatina
Entre os nomes mencionados pela jornalista estava Márcio Canella (União Brasil), deputado estadual eleito no Rio de Janeiro e aliado de Flávio. Canella foi preso pela Polícia Federal na quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro.
Segundo a Polícia Federal, o grupo investigado teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. A operação também apura suspeitas de participação de agentes públicos e articulação político-institucional. A Justiça determinou a prisão preventiva de seis investigados, além de buscas, apreensão de bens e suspensão das atividades de empresas suspeitas de integrar o esquema. Canella é investigado, e as suspeitas ainda precisam ser apuradas no processo.
Outro nome citado foi Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Ele foi preso preventivamente em 2025 e, em agosto de 2026, tornou-se réu no Supremo Tribunal Federal (STF), após a Primeira Turma receber denúncia da Procuradoria-Geral da República por suspeita de obstrução de investigações relacionadas ao Comando Vermelho.
A acusação envolve o suposto vazamento de informações sigilosas de uma operação policial contra o ex-deputado estadual conhecido como TH Joias, investigado por ligações com a facção. O recebimento da denúncia abre uma ação penal, mas não representa condenação definitiva.
A jornalista também mencionou o ex-governador Cláudio Castro (PL), que teve a inelegibilidade confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em junho de 2026. A decisão decorre de um processo eleitoral que apurou abuso de poder político e econômico, condutas vedadas e captação ilícita de recursos nas eleições de 2022.
O caso eleitoral é distinto das questões relacionadas ao Banco Master, também mencionadas durante a sabatina.
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Ao responder aos questionamentos, Flávio não apresentou explicações específicas sobre as investigações envolvendo Canella, Bacellar e Castro. O senador afirmou que os investigados devem ter direito à defesa, mas sustentou que eventuais crimes precisam ser punidos.
A resposta ocorreu durante a discussão sobre segurança pública e combate ao crime organizado, temas que devem ocupar espaço no debate eleitoral para a Presidência da República.




