Anuncio de Daciolo reacende debate sobre candidatos de fora no AM

A chegada de Cabo Daciolo à disputa pelo Governo do Amazonas reacendeu um debate antigo na política: até que ponto um candidato precisa ter nascido no estado, ou construído ali sua trajetória, para representar os eleitores? Para o sociólogo e advogado Carlos Santiago, a candidatura do ex-deputado federal tem respaldo legal e faz parte de uma estratégia eleitoral que não é inédita no Brasil.
Segundo Santiago, a legislação eleitoral permite que políticos transfiram seus domicílios eleitorais e disputem cargos em estados diferentes daqueles onde iniciaram suas carreiras.
“A candidatura de Cabo Daciolo ao governo do Amazonas tem um amparo legal, faz parte de uma estratégia eleitoral do seu partido, que não é algo inédito à política brasileira”, afirmou.
O especialista lembra que, em outros períodos da história, a legislação chegou a permitir que políticos concorressem por diferentes estados. Após a redemocratização, cita exemplos de lideranças nacionais que disputaram eleições fora de seus estados de origem, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nascido no Rio de Janeiro, e o ex-presidente José Sarney (MDB), integrante de uma família tradicional do Maranhão, mas que construiu parte de sua trajetória política como senador pelo Amapá.
Santiago também cita movimentos mais recentes de mudança de domicílio eleitoral, como os casos de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que transferiram seus títulos para São Paulo, além de Carlos Bolsonaro (PL), que passou a disputar uma vaga ao Senado por Santa Catarina, e Hélio Lopes (PL), político do Rio de Janeiro que busca uma candidatura por Roraima.

No Amazonas, trajetória de migrantes políticos
A história política amazonense também tem exemplos de governadores e lideranças que nasceram fora do estado, mas construíram suas carreiras no Amazonas.
Entre eles está Alfredo Nascimento (PL), nascido em São Paulo, que chegou a Manaus ainda jovem e iniciou sua trajetória política no estado. Foi prefeito de Manaus, senador e ministro dos Transportes.
Também estão nessa lista:
Eduardo Braga (MDB), nascido em Belém (PA), que chegou ao Amazonas ainda criança, construiu sua vida acadêmica e política em Manaus e foi duas vezes governador do estado.
Omar Aziz (PSD), nascido em Garça (SP), que se mudou para o Amazonas na adolescência, estudou e iniciou sua carreira política no estado, chegando ao Governo do Amazonas e ao Senado.
Wilson Lima (União), nascido em Santarém (PA), que se mudou para Manaus na vida adulta, construiu carreira como comunicador e depois chegou ao Governo do Amazonas.
A diferença apontada por analistas é que esses nomes, embora não tenham nascido no Amazonas, construíram vínculos políticos e sociais durante anos antes de chegarem ao cargo máximo do estado.
Para Santiago, a decisão está nas mãos do eleitor
Apesar do debate sobre candidatos de fora, Carlos Santiago avalia que ampliar as opções eleitorais fortalece a democracia. Para ele, o critério principal deve ser a capacidade do candidato de apresentar propostas e responder aos desafios do estado.
“Quanto maior as opções que o eleitorado tiver para escolher bons governantes e bons representantes, é louvável. Ninguém pode impedir que o eleitor deixe de ter uma opção para votar”, declarou.
O sociólogo ressalta que cabe ao eleitor avaliar os candidatos e acompanhar o mandato após a eleição.
“Cabe ao eleitorado votar com muita responsabilidade, exigir dos eleitos o cumprimento das promessas lançadas num período eleitoral e acompanhar a política todo ano, todo instante, não se resumir apenas a um eleitor um dia de votação”, afirmou.
Para ele, os desafios do Amazonas nas áreas de segurança pública, meio ambiente, educação e saúde exigem uma escolha baseada no interesse coletivo.
“As opções para o governo do Amazonas estão postas. Agora, a bola, a decisão, cabe ao eleitorado. É assim que se fortalece a democracia, dando todas as opções ideológicas para o eleitorado”, disse.
Na avaliação de Santiago, a presença de candidatos de diferentes origens não enfraquece os partidos locais, mas amplia o debate eleitoral.
“Isso não é enfraquecer as siglas partidárias do Amazonas, é sim fortalecer a democracia com vários nomes, várias opções. É assim que se constrói um processo eleitoral transparente, diverso e que busca a qualidade”, concluiu.
Diante dos argumentos apresentados, a análise reforça que, independentemente da origem dos candidatos, a decisão final sobre quem governará o Amazonas está nas mãos dos eleitores.





