Rompimento de Marcos Rotta com o Avante repete padrão histórico de acusações de traição

O rompimento do ex-vice-prefeito de Manaus Marcos Rotta (Avante) com seu grupo político na última sexta-feira (7/8), após a declaração de apoio do partido ao senador Eduardo Braga (MDB), expôs um método recorrente adotado por ele para formar alianças e, invariavelmente, delas se afastar acusando a outra parte de traição.
Foi assim quando Rotta era aliado do próprio Braga em 2016 e, logo depois, com Arthur Neto nas eleições de 2018. Agora, ele volta a acusar de traidor um ex-aliado, no caso o ex-prefeito de Manaus e candidato ao Governo, David Almeida (Avante).
O rompimento com David Almeida
Sobre David Almeida, Rotta afirmou que ele não é mais a mesma pessoa com quem formou chapa em 2020, quando se tornou vice-prefeito de Manaus. O David de agora, segundo Rotta, foi capaz de apunhalá-lo pelas costas, retirando-o da condição de candidato ao Senado Federal para apoiar Eduardo Braga.
Antes de romper, Rotta costumava elogiar David Almeida por lhe ter garantido protagonismo no posto de vice e, depois, na função de secretário municipal, tratamento bem diferente daquele dispensado a ele na aliança anterior com o ex-prefeito Arthur Neto (MDB).
O mesmo roteiro em 2018 e 2016
Assim como no rompimento com David e o Avante, Rotta seguiu o mesmo roteiro para anunciar a ruptura com Arthur Neto em 2018, quando era filiado ao PSDB e o ex-prefeito de Manaus lhe pediu para ser o candidato do partido ao Governo do Estado. Na época, Rotta deixou a Secretaria de Infraestrutura e, logo depois, viu o partido apoiar a candidatura de Omar Aziz (PSD) ao governo, com Arthur Bisneto indicado ao posto de vice na chapa.
Rotta, mais uma vez, veio a público acusar os aliados de traidores. Nesse caso específico, disse que Arthur Neto era contumaz em trair seus aliados, lembrando o caso dos ex-vices-prefeitos Félix Valois (1989 e 1992) e Hissa Abraão (2013 e 2015).
Outro ex-aliado acusado por Marcos Rotta de traidor foi o senador Eduardo Braga. Isso ocorreu em 2016, quando ele estava no então PMDB, atual MDB. A reclamação da época era de que Braga o havia convidado a ser o candidato do partido à Prefeitura de Manaus, mas que, na hora H, o apoio foi para a candidatura de Arthur Neto. “Um dia Braga comunicou que apoiaria a candidatura à reeleição de Arthur, e a mim restavam duas opções, ser vice ou não disputar a eleição municipal”, disse Rotta à época.
Um padrão que se repete
Ao analisar todos os episódios citados, fica um questionamento em aberto: por que será que todos os ex-aliados de Marcos Rotta sempre fazem esse movimento de iniciar um apoio à sua candidatura majoritária e, na reta final, desistem e acabam apoiando outro? Onde estará o problema, nos “traidores” ou no traído?
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