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No Amazonas, quem não votou quase teve mais força que quem venceu

Entre abstenções e votos nulos, eleitorado ausente supera desempenho de candidatos e revela crise de eleitores no Amazonas
10/04/26 às 09:21h
No Amazonas, quem não votou quase teve mais força que quem venceu

Nada menos que 736.584 eleitores simplesmente não escolheram ninguém nas eleições para o Governo do Amazonas que aconteceram em 2022. São 578.702 abstenções somadas a 157.882 votos nulos. Um contingente que, sozinho, rivaliza com qualquer candidatura competitiva no estado. Se incluídos os votos brancos, o número salta para mais de 800 mil.

O detalhe é brutal. A abstenção de 21,89% não pode ser tratada apenas como efeito da geografia amazonense. É evidente que o estado impõe desafios logísticos únicos, com distâncias continentais e comunidades de difícil acesso. Mas reduzir quase 600 mil ausências a um problema de transporte é conveniente demais para quem disputa poder.

Há um componente político claro. O eleitor que não aparece, ou que anula o voto, também estão se posicionando. É um gesto menos visível, mas não menos significativo. Indica descrença, rejeição ou, no mínimo, indiferença diante das opções apresentadas.

Os 7,65% de votos nulos reforçam essa leitura. Não é ausência, é recusa. O Amazonas chega a 2026 com 2.729.414 eleitores aptos. Mais da metade está em Manaus. São 1.431.595 eleitores.

Isso transforma a capital no epicentro não apenas da disputa, mas também do problema. Qualquer oscilação no comparecimento ou no humor do eleitor manauara pode redefinir completamente o resultado.

Se parte desse eleitorado decidir repetir o comportamento de 2022, a eleição pode novamente ser contaminada por um volume massivo de não participação. E quanto maior esse vazio, mais imprevisível se torna o resultado.

A leitura dos números de 2022 deixa uma provocação incômoda. No Amazonas, ganhar eleição não depende só de conquistar votos válidos. Depende, cada vez mais, de lidar com quem está fora deles.

Existe um eleitorado gigantesco que não se conecta com o processo eleitoral. Ignorar esse grupo é repetir o erro. Disputá-lo pode ser o diferencial.

Se os índices se mantiverem, mais de meio milhão de amazonenses devem novamente ficar fora da decisão em 2026. Um cenário em que o maior adversário não será o outro candidato, mas sim a ausência de quem sequer decidiu participar.

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