Horário eleitoral: a última chance de mudar a disputa pelo governo

A campanha para o Governo do Amazonas entra nesta semana em uma nova fase com o início do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, na próxima sexta-feira (28). A propaganda será veiculada até 1º de outubro, dois dias antes do primeiro turno, e poderá influenciar a disputa pelas duas vagas que levarão os candidatos ao segundo turno.
No Amazonas, as grandes distâncias entre Manaus e os municípios do interior dificultam o contato direto dos candidatos com parte do eleitorado, o que reforça o papel do rádio e da televisão como instrumentos de comunicação.
Tempo desigual entre os candidatos
O tempo disponível será diferente entre os concorrentes. O senador Omar Aziz (PSD) terá o maior espaço, com 3 minutos e 33 segundos por programa. O governador Roberto Cidade (União Brasil) terá 2 minutos e 28 segundos. A professora Maria do Carmo Seffair ficará com 1 minuto e 49 segundos. O ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante) terá 45 segundos, enquanto as candidaturas da federação PSOL/Rede e do Mobiliza terão 25 segundos.
Essa diferença cria estratégias distintas: quem tem mais espaço pode apresentar um conjunto maior de propostas, explorar a trajetória política e responder aos adversários, enquanto quem dispõe de menos tempo precisa concentrar a comunicação em poucas mensagens e reforçar a presença nas redes sociais.
Capital e interior reagem de forma diferente
O efeito da propaganda, no entanto, não deve ser igual em todo o Estado. Na capital, o eleitor dispõe de uma variedade maior de fontes de informação, como redes sociais, vídeos, podcasts e aplicativos de mensagens, e parte do público pode simplesmente deixar de acompanhar os programas eleitorais para consumir outro tipo de conteúdo.
No interior, a situação pode ser diferente. O rádio continua sendo um meio de comunicação de alcance relevante, e a televisão aberta pode representar uma das principais formas de contato entre o eleitor e os candidatos ao governo. Para quem já possui uma votação consolidada nos municípios, o horário eleitoral pode ajudar a reforçar essa posição. Para quem apresenta desempenho menor, pode representar uma oportunidade de ampliar o conhecimento do eleitor sobre a candidatura.
O precedente de 2024
A eleição municipal de Manaus em 2024 mostrou que a entrada da propaganda eleitoral coincidiu com uma mudança na disputa pelo segundo turno. Alberto Neto e Maria do Carmo terminaram a primeira etapa da campanha na segunda colocação, com 24,94% dos votos válidos, atrás de David Almeida, que obteve 32,16%. A campanha de Alberto Neto ganhou força durante as semanas finais, justamente quando entrou no ar a propaganda gratuita, e garantiu a passagem para o segundo turno. Até então, os candidatos Amon Mandel e Roberto Cidade estavam mais competitivos, mas acabaram superados por Alberto.
O episódio não significa que a televisão, sozinha, seja responsável pela mudança eleitoral. A propaganda atua em conjunto com pesquisas, alianças, presença nas ruas, redes sociais e acontecimentos da campanha, mas mostra que o início do horário eleitoral pode alterar o ritmo de uma eleição.
Em 2026, essa dinâmica ganha peso: a disputa pelo Governo do Amazonas chega ao período decisivo com sete candidaturas e pouco mais de um mês até a votação. O candidato que transformar seu tempo de rádio e televisão em uma mensagem clara, gerar repercussão nas redes sociais e alcançar o eleitor do interior terá uma oportunidade adicional de alterar a correlação de forças.
O horário eleitoral não garante vaga no segundo turno, mas pode ser uma das últimas ferramentas capazes de mudar o cenário antes da votação. Nas próximas semanas, mais do que o tempo de cada candidatura, estará em jogo a capacidade de transformar minutos de propaganda em votos.





