Disputa no PT do Amazonas pode dificultar Lula no Senado

Uma disputa paroquial do PT do Amazonas, iniciada na formação das chapas de 2022, poderá ter implicações no próximo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e na prevista relação difícil que ele terá com um Senado de maioria oposicionista.
A origem está na briga entre o presidente estadual do PT, deputado estadual Sinésio Campos, e o ex-senador João Pedro, que também presidiu o diretório do Amazonas, na formação da chapa majoritária daquele ano. João Pedro estava fechado com Eduardo Braga (MDB) para ser candidato a vice na chapa que enfrentaria o então governador Wilson Lima, mas a vaga ficou com a ativista Anne Moura, indicada por Sinésio Campos.
Sem espaço na chapa de Braga, João Pedro foi convidado por Omar Aziz para ser seu suplente no Senado, mas Sinésio manobrou novamente e emplacou o nome de Cheila Moreira, então vereadora de Itacoatiara e ex-assessora dele na Assembleia Legislativa, como primeira suplente. Sobrou para João, um dos quadros mais experimentados do PT do Amazonas, a segunda suplência como prêmio de consolação.
O que está em jogo agora?
Com a eleição de Omar Aziz (PSD) para o governo do Amazonas, ele deixa o Senado, e Cheila poderá exercer o mandato até janeiro de 2031. A trajetória dela foi construída na política municipal de Itacoatiara. João Pedro, por sua vez, já ocupou uma cadeira no Senado e mantém atuação ligada a Lula e ao PT.
A eventual substituição depende da própria Cheila. Como primeira suplente, ela tem precedência legal sobre João Pedro. Para que o segundo suplente assuma, será necessário que ela renuncie à possibilidade de exercer o mandato ou esteja impedida de ocupá-lo. Isso não se resolve por decisão das correntes internas do partido.





