Amazonas é o Estado mais evangélico do país; eleitorado pode ser decisivo em 2026

O Amazonas ganhou um dado que pode pesar na leitura da eleição de 2026: 45% da população do Estado se declara evangélica, segundo pesquisa Iser/Quaest divulgada nesta segunda-feira (21/9). É a maior proporção entre os estados brasileiros e está bem acima da média nacional, de 29%. O levantamento ouviu 15 mil pessoas em 412 municípios, entre janeiro e fevereiro deste ano.
O número chama atenção porque a própria Quaest já identificou diferenças no comportamento eleitoral conforme a religião. Em pesquisa Genial/Quaest realizada entre 31 de julho e 3 de agosto, por exemplo, 48% dos evangélicos entrevistados disseram votar em Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno contra Lula, enquanto 33% optaram pelo petista. Entre os católicos, os números se invertiam: 49% para Lula e 37% para Flávio.
O dado, porém, não permite transportar automaticamente o cenário nacional para o Amazonas. A pesquisa sobre religião mostra o tamanho desse segmento no Estado, mas não apresenta, nesse levantamento, a intenção de voto dos evangélicos amazonenses para governador ou senador.
É justamente aí que está a importância política do número. Quase metade da população amazonense declarar-se evangélica transforma igrejas, lideranças religiosas e esse eleitorado em um segmento relevante para as campanhas, especialmente em uma eleição marcada pela disputa por votos em diferentes grupos sociais.
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Isso não significa que os evangélicos formem um bloco eleitoral único. Dentro desse universo existem diferenças de renda, idade, denominação religiosa, região e posicionamento político.
Para os candidatos que disputam o Governo do Amazonas e as duas vagas ao Senado, portanto, o dado funciona menos como uma resposta sobre “para quem esse eleitor vai votar” e mais como um alerta sobre “quem é esse eleitor e quais temas influenciam sua escolha”.
A religião já aparece nas pesquisas nacionais como uma variável associada ao voto. No Amazonas, onde a presença evangélica é ainda maior, essa característica do eleitorado ganha uma dimensão que dificilmente poderá ser ignorada pelas campanhas.




