O que a PF conseguiu, e o que não conseguiu, recuperar do celular de Vorcaro; veja prints

A Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro mensagens, arquivos e registros de contatos com autoridades, além de documentos relacionados a contratos do Banco Master com o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O relatório, porém, alerta que os investigadores tiveram apenas 72 horas para fazer a análise e que o conteúdo não foi verificado por completo. Com isso, outras informações ou referências indiretas podem ainda não ter sido encontradas.

A análise consta da Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A) nº 3298613/2026, produzida pela PF a partir de um iPhone 17 Pro apreendido em operação. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça em 27 de agosto de 2026 e possui 218 páginas.
PF usou vestígios digitais para reconstruir mensagens
Uma das principais dificuldades encontradas pelos investigadores estava na forma como Vorcaro enviava determinadas mensagens. Segundo o relatório, o banqueiro escrevia textos no aplicativo de notas do celular, fazia um print e, poucos segundos depois, enviava a imagem pelo WhatsApp, em alguns casos utilizando o recurso de visualização única.
Para reconstruir o que aconteceu no celular, os peritos usaram um programa forense chamado IPED 4.2.2, que permite localizar e analisar os registros deixados pelo aparelho. Entre eles estão os chamados “logs”, que mostram ações realizadas no celular.
A PF também descobriu que, ao capturar a tela do aplicativo de notas, o celular criava automaticamente um arquivo PDF temporário com o mesmo conteúdo exibido na tela. Isso permitiu recuperar vestígios das mensagens mesmo com o recurso de visualização única.
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Foram identificadas 52 notas relacionadas ao mesmo padrão
No processo de análise, a PF encontrou cinco notas com o contato salvo no aparelho como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
Além delas, foram encontrados outros 47 arquivos que apresentavam o mesmo padrão de criação e envio. Três desses arquivos correspondiam às notas que motivaram a requisição judicial que deu origem à análise. Ao todo, o relatório apresenta 52 notas ou arquivos relacionados ao padrão identificado.

Os registros permitiram aos investigadores estabelecer uma sequência temporal entre a criação da nota, a captura da tela, a abertura do WhatsApp e o envio da mensagem. Em um dos exemplos, a PF registrou que, segundos depois de realizar o screenshot, Vorcaro enviou a mensagem para o terminal identificado em seu aparelho como pertencente ao contato “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

Contato estava salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”
A PF encontrou no aparelho de Vorcaro um diálogo no WhatsApp diretamente com um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, com uma configuração de mensagens temporárias com prazo de 24 horas para exclusão automática, além de vários nomes associados ao mesmo contato, entre eles, “Alexandre de Moraes BRASILIA”, “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”. Segundo a PF, o número havia sido compartilhado com Vorcaro por Fábio Faria em dezembro de 2023. (págs. 17-18)

O que a PF encontrou nas notas
Entre os arquivos recuperados, a PF encontrou três notas já investigadas. Em uma delas, Vorcaro relatou ter recebido informações confidenciais sobre pressões envolvendo o Banco Central e a Polícia Federal e escreveu que seria importante falar com “Andrei e Paulo” para evitar problemas.
Segundo a PF, os nomes podem se referir a Andrei Passos, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. O relatório, porém, trata essa identificação como uma possibilidade, e não como uma certeza.

PF encontrou registros sobre contratos e pagamentos
A PF encontrou no celular registros de contratos, cobranças e pagamentos envolvendo o Banco Master e o escritório Barci de Moraes.
Também foi localizado um contrato de maio de 2025 entre a Viking Participações e o escritório. O relatório ainda reúne, em anexo, os contratos, um acordo de dação em pagamento e conversas de Vorcaro com o contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.



Gonet não aparece como contato direto no celular
A PF não encontrou no celular de Vorcaro nenhum contato salvo como “Paulo Gonet” ou “Gonet”. As referências ao procurador apareceram em conversas com o advogado Ciro Soares.
Em março de 2025, Ciro enviou uma foto com Gonet e disse a Vorcaro: “Ele quer falar com você”. Depois, foram registradas quatro ligações entre Vorcaro e Ciro, e não entre Vorcaro e Gonet.

Mensagens atribuídas a Gonet foram encaminhadas por Ciro
Em 28 de março de 2025, Ciro encaminhou mensagens a Vorcaro e afirmou que elas haviam sido enviadas por “Gonet”. No dia seguinte, Ciro escreveu que “Gonet perguntou se o filho dele pode ir com a gente para Londres”. Vorcaro respondeu: “Obvio ne”.

Em abril, Ana Matos perguntou a Vorcaro se determinados nomes estavam aprovados para viajar a Londres com as despesas pagas pelo grupo. O banqueiro respondeu que Pedro Gonet e Ciro poderiam ter os custos da viagem pagos.

Em junho, Ciro voltou a informar a Vorcaro que “PG confirmou a ida pra Londres” e perguntou se “Pedrinho filho do PG” poderia ir com o grupo.

E o que a PF não conseguiu recuperar?
A PF ressalva que teve apenas 72 horas para analisar o celular, por isso o trabalho não foi exaustivo. Foram registradas as menções diretas aos envolvidos, mas a própria equipe admite que outras referências ou novos elementos podem ser encontrados com o aprofundamento da investigação.
Investigação ainda depende de outras análises
A PF afirma que as investigações envolvem duas suspeitas ligadas entre si: o possível pagamento de vantagens indevidas a servidores do Banco Central e a atuação do grupo chamado “Turma”.
As apurações estavam avançadas, mas ainda dependiam de análises bancárias e do material apreendido. As oitivas já haviam começado e deveriam ser concluídas nos 60 dias seguintes.





