Construção civil prevê contratar 288 mil trabalhadores com fim da escala 6×1

A construção civil brasileira poderá precisar contratar 288 mil trabalhadores para manter o atual ritmo de atividade com o fim da escala 6×1 e a redução da jornada semanal para 40 horas, estima a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). A entidade aponta a falta de mão de obra qualificada como um dos principais desafios para a adaptação do setor.
Segundo a CBIC, a mudança poderá elevar os custos de produção em até 15%, com impacto sobre o andamento das obras, os prazos de entrega de empreendimentos e os investimentos em habitação e saneamento básico.
A entidade estima em R$ 13,5 bilhões por ano o custo adicional com as contratações necessárias para compensar a redução da jornada. Avalia ainda que a dificuldade de encontrar profissionais pode impedir que as empresas preencham rapidamente as vagas.
Menos moradias financiadas
De acordo com as projeções da CBIC, o aumento dos custos na construção de habitações populares poderá reduzir em 30 mil o número de moradias financiadas por ano no país.
A entidade alerta que o encarecimento da produção pode dificultar o acesso de famílias de baixa renda à casa própria, especialmente entre as que dependem de financiamento habitacional.
Para representantes da CBIC, a implementação da nova jornada precisa considerar as particularidades de cada atividade econômica.
Impactos em obras e saneamento
A entidade calcula que a redução da jornada poderá representar quase 600 milhões de horas de trabalho a menos por ano no setor. Para a entidade, a menor disponibilidade de mão de obra poderá comprometer o cronograma dos canteiros e atrasar a entrega de imóveis residenciais e projetos de infraestrutura.
No saneamento básico, a CBIC estima a necessidade de R$ 19,3 bilhões em investimentos adicionais ao longo de dez anos para absorver os efeitos da mudança na jornada.
Ainda segundo a entidade, o aumento dos custos trabalhistas elevaria a necessidade anual de investimentos no setor para R$ 58,23 bilhões, e o déficit anual de recursos chegaria a R$ 13,73 bilhões.
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O que muda com o fim da escala 6×1?
O Senado aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e estabelece jornada máxima de 40 horas semanais.
A proposta, que teve origem na Câmara dos Deputados como PEC 221/2019, prevê transição de 14 meses para a adaptação às novas regras e proíbe a redução proporcional dos salários em razão da diminuição da jornada.
A distribuição das horas de trabalho ao longo da semana poderá ser discutida em negociações entre sindicatos e empregadores, respeitando os limites estabelecidos pela nova regra.
Nesse período, o setor terá de reorganizar escalas, contratar profissionais e ajustar os cronogramas de execução das obras. A CBIC defende que a implementação considere as diferenças entre os setores produtivos e os efeitos sobre o emprego, os custos e a capacidade de investimento das empresas.





