A polícia deve fazer uma nova reconstituição criminal do ‘Caso Vitória’ no dia 10 de abril, às 9h. A decisão atende a um pedido da defesa da família da vítima, que considera a falta de esclarecimento dos fatos, especialmente diante das contradições apontadas na confissão de Maicol Sales dos Santos, único suspeito preso até o momento.
O delegado Gustavo Mesquita, especialista em segurança pública, explicou a importância da reconstrução do caso da adolescente Vitória Regina, em Cajamar, interior de São Paulo.
“Longe de ser um mero exercício teatral, ela é um procedimento rigoroso, técnico e controlado, capaz de lançar luz sobre os eventos que cercam um crime”, disse o delegado.
Mesquita disse ainda que o planejamento da reconstituição é minucioso e estabelece data, horário, logística de segurança e isolamento do local. As partes envolvidas, como suspeitos, advogados, promotores e peritos, são comunicadas com antecedência e devem estar presentes.
“Um roteiro detalhado é elaborado com base em laudos e depoimentos, servindo como guia para a simulação, mas podendo ser ajustado conforme novas percepções”, afirma o delegado.
Investigação
A polícia intensificou o processo de investigação após as contradições levantadas por Maicol. No depoimento de confissão, ele diz ter matado Vitória dentro do carro dele, logo após sequestrá-la no caminho de volta para casa, após sair do trabalho.
“As versões apresentadas por investigados, vítimas ou testemunhas são confrontadas com provas materiais, como laudos periciais, marcas de sangue, trajetórias de disparos ou posicionamento dos corpos. É a ciência ajudando a Justiça a enxergar com precisão”, explicou Mesquita.
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Relembre o Caso Vitória
O corpo da adolescente Vitória Regina de Sousa, de 17 anos, foi encontrado na quarta-feira (5) em uma área de mata em Cajamar, na Grande São Paulo. A jovem estava desaparecida há uma semana, após sair do shopping onde trabalhava para voltar para casa.

O corpo já apresentava decomposição e também sinais de tortura. Ela foi degolada e estava com a cabeça raspada, e foi identificada por familiares pelas tatuagens.
Momentos antes de desaparecer, Vitória enviou áudios para uma amiga relatando que estava sendo seguida e assediada por ocupantes de um carro. Nas mensagens, a jovem demonstrava nervosismo e medo:
“Passou os cara no carro e eles falaram: ‘E aí, vida? Tá voltando?’. Ai, meu Deus do céu, vou chorar. Vou mexendo no celular. Não vou nem ligar pra eles”.
Até o momento, um homem foi preso pelo crime: Maicol Antônio Sales dos Santos, de 27 anos, acusado de ser o proprietário do veículo Toyota Corolla visto próximo ao local do crime.

Os investigadores encontraram sangue no porta-malas do carro e mandaram o material para perícia, que deve demorar de 30 a 40 dias para ter resultado.
*Com informações de CNN Brasil