Ministério da Saúde amplia rede de UBSs no Norte devido ao El Niño

A Região Norte sofre os efeitos do El Niño, que já provoca seca histórica dos rios da bacia amazônica. A seca reduz o nível dos leitos fluviais e pode dificultar o acesso a serviços de saúde. Para garantir a continuidade da assistência, o Ministério da Saúde anunciou, nesta quarta (16/9), ações para a região visando à proteção das populações mais vulneráveis.
O cenário foi apresentado durante coletiva de imprensa com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, técnicos da pasta e representantes da Fiocruz. A pasta anunciou ampliação da rede de Unidades Básicas de Saúde (UBS), com 273 entregues e em construção no âmbito do Novo PAC. As unidades são projetadas para resistir a eventos extremos, com terrenos seguros, energia solar, geradores e reserva hídrica para até 72 horas.
A região também recebeu 377 ambulâncias do SAMU e 587 soluções de acesso à água potável em áreas indígenas.
Monitoramento climático e resposta regional
O Norte conta com atuação integrada dos Centros de Informação em Saúde e Clima (CISC) em Belém e Santarém, no Pará, que monitoram eventos climáticos para orientar gestores locais na preparação da rede. Também apoiam a elaboração de mapas de calor extremo, zonas de resfriamento e pontos de hidratação, além de protocolos específicos na rede de saúde e da qualificação de equipes. Essa inteligência apoia a atuação da Força Nacional do SUS, que conta com bases regionais em implantação em Manaus (AM), Porto Velho (RO) e Belém (PA).
O plano AdaptaSUS
As medidas integram o AdaptaSUS, plano do Ministério da Saúde apresentado na COP30 para adaptar a rede pública às mudanças do clima e fortalecer a proteção das populações mais vulneráveis. A iniciativa prevê 27 metas, 93 ações e investimento de R$ 9,8 bilhões, com planejamento até 2035 para tornar o SUS mais resiliente.
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Resultados na região
Segundo o governo, entre 2023 e 2026, o número de equipes de saúde cresceu 24,9%, saltando de 261 para 326 profissionais. A frota de Unidades Básicas de Saúde Fluviais foi ampliada em 24,6%, passando a operar com 71 unidades em áreas remotas. Como resultado, 95% da população da região está hoje vinculada à Saúde da Família e à Saúde da Família Ribeirinha.
“É urgente avançar na adaptação climática porque as mudanças do clima estão afetando a saúde e levando pessoas à morte. A preparação é baseada na ciência e respeita os princípios do SUS. Uma das marcas do AdaptaSUS e do Plano de Ação de Belém é reconhecer que as mudanças climáticas impactam diretamente a saúde pública, mas seus efeitos não são iguais para toda a população”, afirmou o ministro.





