Qualidade do ar em Manaus melhora, mas interior ainda preocupa

A qualidade do ar em Manaus melhorou nesta quarta-feira (21/10), com os pontos de monitoramento indicando níveis moderados, segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). Apesar da redução em relação aos dias anteriores, a fumaça das queimadas ainda afeta a capital e municípios do Amazonas, onde a poluição segue em níveis insalubres.
O mapa de monitoramento mostra concentrações de material particulado fino (MP2,5) entre 25,7 e 43,1 microgramas por metro cúbico (µg/m³) na capital. Os maiores valores, de 43,1 e 43 µg/m³, aparecem nas zonas Sul e Centro-Sul, e os menores, em alguns pontos das zonas Norte e Leste.
No interior, Iranduba, Parintins e Autazes seguem com qualidade do ar insalubre, o que indica que os efeitos da fumaça não se restringem à capital. A exposição prolongada pode agravar problemas respiratórios e cardiovasculares, sobretudo entre pessoas mais vulneráveis.
Partículas finas representam risco à saúde
O MP2,5 é formado por partículas microscópicas liberadas pela queima de vegetação e por outros processos de combustão. Por serem muito pequenas, elas penetram profundamente nos pulmões e podem alcançar a corrente sanguínea.
A exposição à fumaça pode causar irritação nos olhos e na garganta, tosse, falta de ar e agravamento de doenças respiratórias. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças cardíacas ou pulmonares exigem maior cuidado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que a concentração média de MP2,5 não ultrapasse 15 µg/m³ em 24 horas. Os valores registrados no mapa de Manaus estão acima desse parâmetro, mas a comparação deve considerar que uma leitura instantânea não equivale à média de 24 horas usada pela organização.
Aulas presenciais continuam suspensas
Mesmo com a melhora, a Prefeitura de Manaus manteve suspensas as atividades presenciais na rede municipal de ensino nesta quarta-feira. Na rede estadual, as aulas presenciais também foram suspensas em Manaus e Autazes, diante dos riscos à saúde provocados pela fumaça.
Entre 1º e 17 de outubro, Manaus registrou 559 atendimentos relacionados à exposição à fumaça, conforme dados informados pelas autoridades de saúde.
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Recomendações para a população
A orientação é manter a hidratação, evitar exercícios físicos ao ar livre enquanto a qualidade do ar estiver comprometida e reduzir a exposição à fumaça. Quando possível, é indicado permanecer em ambientes fechados, com portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração, e evitar atividades que aumentem a poluição dentro de casa.
Pessoas com doenças respiratórias devem seguir as orientações médicas e ficar atentas ao agravamento dos sintomas. Em caso de falta de ar intensa ou piora importante do quadro respiratório, é necessário procurar atendimento de saúde.
Combate às queimadas
O governo federal anunciou o reforço das operações contra incêndios florestais no Amazonas, com 16 aeronaves, quatro esquadrões de helicópteros, dois navios e ampliação das equipes de brigadistas. Também foi anunciada uma base descentralizada da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) em Manaus, para ampliar a resposta a problemas de saúde relacionados à fumaça.
A melhora na capital representa avanço em relação aos dias de maior concentração de poluentes, mas não significa o fim dos impactos das queimadas. Os níveis em Manaus e a situação de Iranduba, Parintins e Autazes mostram que a qualidade do ar segue como preocupação ambiental e de saúde pública no Amazonas.






