Pode cobrar para fazer conteúdo na Rua da Copa?

A polêmica envolvendo a Rua da Copa, no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus, ganhou novos contornos após a Rede Onda Digital ouvir diferentes lados: a influenciadora Laíne Andrade, o coordenador do projeto, Everton Vieira, e a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), responsável pelo edital que viabiliza o projeto.
Enquanto a jovem relata ter sido cobrada com intimidação, o organizador nega a abordagem e diz que não há cobrança, apenas uma orientação para que, enquanto a decoração não estiver finalizada, gravações comerciais sejam feitas apenas por parceiros que ajudam o projeto. A Prefeitura, por meio da Manauscult, informou que não tem qualquer vínculo com supostas cobranças.
Versão da influenciadora
Laíne Andrade conta que foi ao local pela primeira vez com amigas e, ao chegar, foi abordada por três rapazes. Dois agiram com calma, mas um terceiro, identificado por ela como coordenador, teria agido com “rispidez e arrogância”.
“Falou que se a gente estava ali para fazer publicidade, deveria pagar. Se não pagasse, não gravava”, afirma.
Segundo Laíne, o grupo não se negou a pagar, mas queria esclarecimentos para que a empresa pudesse fazer o repasse de forma organizada. O coordenador, no entanto, teria exigido pagamento imediato e dito que a rua era “privada”, ordenando que elas se retirassem.
Ela afirma que não houve informação sobre valores e que o problema não foi a cobrança em si, mas a “brutalidade” na abordagem.
Coordenador nega cobrança
Everton Vieira, um dos quatro coordenadores do projeto, nega que tenha participado da confusão.
“Não estava no momento. Tinha acabado de sair para pegar meu sobrinho na escola”, diz. Ele afirma que viu o vídeo publicado pela influenciadora, onde aparece de costas ao telefone, mas sustenta que não conversou com ela.
Sobre a política do projeto, Everton explica: “Não existe cobrança de foto, de vídeo, de nada.” O que há, segundo ele, é um entendimento de que apenas parceiros e patrocinadores que ajudam a rua podem fazer gravações de cunho comercial, enquanto a ornamentação não for finalizada. “A gente não autoriza quem não ajuda. Seria injusto com quem contribui desde o começo.”
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O coordenador detalha que a Rua 3 tem 32 anos de tradição, iniciada em 1994, e que atualmente a organização é mantida por quatro pessoas, com colaboração simbólica dos moradores e apoio de empresários parceiros.
O que diz a Prefeitura?
Em nota, a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) informou que não tem “qualquer conhecimento, participação ou vínculo com cobranças relacionadas à realização de fotografias, gravações ou criação de conteúdos referentes às Ruas da Copa”. O edital de chamada pública nº 001/2026, encerrado em 20 de maio, prevê apenas apoio estrutural (palco, som, iluminação, telão, banheiros químicos). A atuação da Prefeitura limita-se a esse suporte.
A reportagem também procurou o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (IMPLURB) para questionar se há fundamento legal para que um projeto comunitário proíba ou condicione ao pagamento gravações comerciais em uma via pública. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno do órgão.
O que diz a lei?
Pela legislação brasileira, ruas e avenidas são consideradas bens públicos de uso comum, com acesso livre à população. Iniciativas comunitárias de ornamentação ou organização de espaços públicos não transferem automaticamente aos organizadores o controle sobre a via. Eventuais restrições, cobranças ou regras para uso comercial do local dependem de autorização formal do poder público, por meio de instrumentos como permissão ou concessão de uso.





