Outubro Rosa: psicóloga orienta mulheres a priorizar autocuidado sem culpa

A psicóloga Suzane Anselmo participou do programa Conexão Onda, da Rede Onda Digital, nesta terça-feira (6/10), e falou sobre a importância do autocuidado das mulheres durante o Outubro Rosa. Na entrevista, ela destacou que a busca pela saúde física e emocional não deve se transformar em mais uma fonte de culpa e cobrança e defendeu o papel das famílias e das empresas na criação de ambientes que favoreçam esse cuidado.
Segundo a especialista, campanhas de conscientização podem perder parte do propósito quando a responsabilidade pelo cuidado é colocada exclusivamente sobre a mulher.
“Não adianta falar sobre um sintoma ou uma doença se a gente ignorar todo o resto que contempla o contexto da vida de uma mulher”, afirmou.
O autocuidado envolve diferentes aspectos, como exames, alimentação, atividade física e saúde emocional. Para ela, é necessário olhar para a mulher de forma integral e evitar que a busca por uma rotina saudável seja acompanhada por culpa ou cobrança excessiva.
Autocuidado não deve virar obrigação
Durante a entrevista, a psicóloga chamou atenção para a diferença entre incentivar o autocuidado e criar mais uma obrigação na rotina feminina.
Ela citou como exemplo uma mulher que precisa conciliar trabalho, cuidados com a casa e os filhos e ainda encontrar tempo para cuidar da própria saúde. Nesse cenário, a cobrança constante pode gerar efeitos negativos na saúde emocional.
“Mulher não precisa ser perfeita, não precisa dar conta de tudo, mas precisa entender o que são prioridades”, disse Suzane.
Estabelecer limites, saber dizer não, delegar tarefas e renunciar a algumas demandas são atitudes importantes para preservar a saúde.
“Se nós não delegarmos, se algumas coisas não forem renunciadas, aquilo que é prioridade básico para a gente vai ficar para segundo plano. E normalmente quem fica? As emoções e a saúde física”, explicou.
Família e empresas também têm responsabilidade
Suzane também destacou que o autocuidado não depende apenas da mulher. Segundo ela, família e ambiente profissional precisam oferecer condições para que esse cuidado seja possível.
No ambiente profissional, a especialista chamou atenção para a contradição entre empresas que promovem campanhas de saúde e, ao mesmo tempo, dificultam que funcionárias se ausentem para consultas ou exames.
“Enquanto eu só delego para você a tua responsabilidade de se cuidar sozinha, mas eu não mudo nada no ambiente, isso me torna tão responsável pela sua saúde quanto você.”
Cultura de cuidado precisa existir durante todo o ano
“Não adianta, no período do Outubro Rosa, dizer ‘se cuide, se ame, a sua vida importa’, porque é incongruente, porque a cultura foi repetida o ano inteiro”, destacou a psicóloga.
A psicóloga também apontou o papel das lideranças na construção de ambientes mais saudáveis. Segundo ela, não basta a empresa falar em flexibilidade e cuidado se, na prática, gestores penalizam funcionários que precisam se ausentar ou utilizar essa flexibilidade.
Ela defendeu uma liderança baseada em empatia e segurança psicológica, para que as mulheres possam cuidar da saúde sem medo de serem vistas como menos comprometidas com o trabalho.
Sobrecarga afeta saúde emocional
Suzane explicou ainda que não é possível separar completamente saúde física e emocional. Para ela, excesso de demandas, falta de limites e dificuldade de conciliar vida pessoal e profissional podem contribuir para o desgaste. A dificuldade está muitas vezes em renunciar a determinadas demandas para dar espaço ao que realmente é prioridade.
“Existe, de um lado, uma mulher que precisa se cuidar. Do outro lado, também existe uma empresa que precisa aprender a cuidar.”
“A empresa precisa se perguntar o quanto pode contribuir para gerar um ambiente realmente saudável, onde as pessoas possam ser quem são e extrair o melhor que têm, sem se sentirem usadas, mas parceiras do negócio”, conclui.





