Jender Lobato explica suspensão de eventos culturais em Manaus: “questão de saúde pública”

O avanço da fumaça das queimadas e o aumento dos problemas respiratórios levaram ao cancelamento das festividades pelo aniversário de Manaus e do Boi Manaus 2026. O anúncio foi feito pelo prefeito Renato Junior (Avante), que justificou a decisão pela necessidade de proteger a saúde da população diante da baixa qualidade do ar na capital amazonense.
Os eventos estavam previstos para os dias 21 e 22 de outubro, após terem sido adiados anteriormente. Segundo o prefeito, embora as comemorações sejam importantes para a cidade, o cenário exige cautela e responsabilidade por parte da administração municipal.
O prefeito reconheceu a importância das festividades para a cultura, os artistas e os trabalhadores que dependem dos eventos para garantir renda. Como alternativa, mencionou o Réveillon como uma próxima oportunidade para reunir a população em uma celebração.
Jender Lobato explica decisão de suspender as festividades
Em entrevista ao Onda News, da TV Onda Digital, nesta quinta-feira (22/10), o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Jender Lobato, explicou que a suspensão das comemorações foi motivada por questões de saúde pública associadas à fumaça.
Segundo ele, a decisão foi tomada de forma conjunta pelo conselho gestor da Prefeitura, com a participação de diferentes órgãos municipais, diante dos riscos de promover eventos com grande concentração de pessoas.
Jender esclareceu que a medida não se limitou ao Boi Manaus, mas atingiu a programação comemorativa do aniversário da capital.
“aconteceriam todas as festividades, mas é uma questão de saúde pública, uma vez que subiu muito o caso de doenças respiratórias por conta das queimadas”, afirmou.
O presidente da Manauscult também ressaltou os impactos econômicos do cancelamento, especialmente para artistas, comerciantes e trabalhadores informais que dependem das festividades.
“É triste para todos nós suspender as atividades. A gente sabe que os eventos que acontecem não são eventos de que só os artistas participam. Tem muitos ambulantes que participam, tem a população que usa daquele evento como uma forma de cultura, mas também de entretenimento”, destacou.
Veja o momento da entrevista:
Aulas municipais seguem suspensas
Além do cancelamento das festividades, as aulas presenciais da rede municipal de ensino também foram suspensas devido à baixa qualidade do ar. A medida começou em 13 de outubro e foi mantida nesta quarta-feira (21), completando nove dias corridos de suspensão.
A Secretaria Municipal de Educação orientou os professores a seguir as diretrizes pedagógicas encaminhadas pela rede durante o período sem atividades presenciais. A medida busca reduzir a exposição de estudantes e profissionais da educação à fumaça.
A suspensão das aulas e dos eventos integra as medidas adotadas pela administração municipal diante dos efeitos da poluição atmosférica sobre a saúde da população.
Queimadas provocam queda de 75% no turismo fluvial
Os impactos da fumaça também atingem a economia de Manaus. Durante a entrevista ao Onda News, Jender Lobato informou que o número de turistas que utilizam embarcações para realizar passeios regionais caiu 75%.
Segundo ele, a fumaça reduz a visibilidade e dificulta a navegação, comprometendo os roteiros turísticos e afetando diferentes setores da economia, dos barqueiros às empresas de passeios e aos restaurantes.
“Isso é um prejuízo muito grande, porque não é só o barqueiro que sofre”, afirmou.
O presidente da Manauscult explicou que a redução dos passeios afeta a contratação de profissionais e diminui o movimento nos estabelecimentos que recebem visitantes durante os roteiros. Para ele, os prejuízos demonstram a necessidade de políticas permanentes de prevenção e combate às queimadas.
“Ou a gente monta uma política séria de combate às queimadas, e a gente já sabe que todo ano vai ter isso, e todo ano tem. Agora, nunca foi tão grave como foi esse ano”, declarou.
Jender também ressaltou que Manaus sofre as consequências da fumaça mesmo quando os focos de queimadas estão em outros municípios ou estados. Na avaliação dele, enfrentar o problema é fundamental para proteger a saúde da população, recuperar o turismo e evitar novos prejuízos às atividades econômicas e culturais da capital.





