Governo federal reforça combate às queimadas no Amazonas com apoio militar

A fumaça que encobre Manaus e dificulta a respiração dos moradores levou o Governo Federal a ampliar as operações de combate aos incêndios florestais no Amazonas. Neste sábado (17/10), foram anunciadas cinco aeronaves adicionais, mobilização de efetivos das Forças Armadas e reforço das ações de segurança e saúde. Com a ampliação, o número de aeronaves disponibilizadas para as operações passará de 11 para 16.
Uma comitiva de ministros e técnicos federais viajará a Manaus neste domingo (18) para acompanhar a situação e coordenar as medidas. A missão reunirá representantes dos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima, da Justiça e Segurança Pública, da Defesa e da Integração e do Desenvolvimento Regional.
O reforço ocorre em meio à persistência dos incêndios no estado e aos impactos da fumaça sobre a população. Além de reduzir a visibilidade, a poluição provocada pela queima de vegetação pode irritar os olhos e as vias respiratórias e agravar problemas como asma e outras doenças pulmonares.
Operação reforço militar
Entre os principais reforços está um segundo avião KC-390, com capacidade para lançar até 19 mil litros de água por saída. A aeronave se juntará a outro modelo já mobilizado, com capacidade de lançamento de 12 mil litros. Helicópteros também serão empregados no lançamento de água, no transporte de equipes e no apoio logístico, sobretudo em áreas de difícil acesso.
Segundo o balanço divulgado pelo governo, desde o início do apoio federal, em 9 de outubro, as operações já lançaram cerca de 600 mil litros de água, em 260 horas de voo. O Ibama contabiliza 317 incêndios extintos desde o início da temporada.
O Ministério da Defesa também ampliará a participação das Forças Armadas, com efetivos militares e suporte aéreo e logístico. A quantidade de militares mobilizados e os detalhes da atuação ainda serão definidos.
A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal também reforçarão as ações. O efetivo das duas instituições ainda será estabelecido. A PRF deverá patrulhar vias secundárias e apoiar operações do Ibama, enquanto a participação da PF integra o esforço federal de enfrentamento aos incêndios e investigação de possíveis crimes ambientais.
R$ 14 milhões para ações emergenciais
A Defesa Civil Nacional empenhou R$ 14 milhões para assistência humanitária, aquisição de equipamentos de proteção e combate ao fogo e contratação de duas aeronaves adicionais.
O valor se soma às medidas operacionais para ampliar a capacidade de resposta nos municípios atingidos. O governo federal afirma que mantém a articulação com autoridades estaduais para conter os incêndios, prevenir novos focos e identificar possíveis responsáveis por queimadas criminosas.
O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, esteve em Manaus nesta semana, onde se reuniu com representantes estaduais e órgãos de fiscalização, segurança e proteção ambiental. Ele também sobrevoou regiões afetadas para acompanhar a evolução dos incêndios.
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Força Nacional do SUS
Na área da saúde, o Ministério da Saúde instalará na terça-feira (20) uma base descentralizada da Força Nacional do SUS em Manaus. A estrutura será a quarta base aberta neste ano, dentro do planejamento federal para preparar o sistema de saúde para possíveis impactos do El Niño 2026/2027.
De acordo com o governo, até o momento não foi identificada sobrecarga nos sistemas de saúde diretamente relacionada aos incêndios. A instalação da base tem caráter preventivo e busca ampliar a capacidade de resposta caso aumente a procura por atendimento devido à fumaça.
A exposição à fumaça de queimadas pode provocar tosse, irritação nos olhos e na garganta e dificuldade para respirar. Pessoas com asma ou outras doenças respiratórias, crianças e idosos exigem atenção especial. Em períodos de fumaça intensa, a orientação é reduzir atividades ao ar livre e evitar exposição prolongada. Quando for necessário sair, respiradores PFF2 ou N95 bem ajustados oferecem maior proteção contra partículas do que máscaras de tecido ou cirúrgicas, embora não filtrem todos os gases presentes na fumaça.
Investigação
O Governo Federal também anunciou que intensificará as investigações diante de relatos de incêndios provocados deliberadamente. A intenção é identificar e responsabilizar os envolvidos, além de reforçar a fiscalização para evitar novas ocorrências.
A ampliação da operação combina combate direto às chamas, transporte de equipes para áreas remotas, fiscalização e preparação do sistema de saúde. Para Manaus, a redução da fumaça depende do controle dos incêndios que alimentam a poluição atmosférica, inclusive aqueles registrados fora da capital.
Com o aumento do apoio federal, o desafio agora é transformar o reforço de aeronaves, militares e recursos emergenciais em uma resposta capaz de conter os focos ativos e reduzir os efeitos da fumaça sobre a população amazonense.





