Fumaça deixa ar de Manaus mais de duas vezes acima do limite da OMS

A qualidade do ar em Manaus está mais de duas vezes acima do nível recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para a concentração de material particulado fino, segundo levantamento de pesquisadores do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), que integram a RedeAr.
Desde o início de setembro, sensores instalados em diferentes pontos da cidade registraram média superior a 30 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de PM2,5, mais que o dobro do limite de 15 µg/m³ recomendado pela OMS para uma média de 24 horas.
Os dados foram divulgados na quarta-feira (23/9). Na mesma data, os sensores registraram picos acima de 160 µg/m³, mais de dez vezes a referência diária da OMS. A Prefeitura de Manaus informou que a concentração média chegou a 188,5 µg/m³, nível classificado como péssimo.
Nesta quinta-feira (24), a fumaça voltou a encobrir a capital e diferentes pontos permaneceram com níveis péssimos, segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva). É o segundo dia consecutivo de exposição a altas concentrações de partículas finas.
Queimadas aumentam na região
O IPAM relaciona a piora da qualidade do ar ao aumento dos focos de calor na Região Metropolitana de Manaus e em áreas próximas. O pesquisador Newton Monteiro aponta queimadas ao longo do rio Amazonas, inclusive em áreas próximas ao Encontro das Águas, e no eixo da BR-319.
Dados do satélite GOES-19 também identificaram anomalias térmicas na região. Segundo o pesquisador, essas informações ajudam a confirmar a presença de áreas com atividade intensa de queimadas.
“Essa métrica complementa o diagnóstico, confirmando áreas de calor intenso e atividade contínua de queimadas”, explica Monteiro.
A permanência da fumaça, porém, não está ligada apenas ao número de queimadas. As condições atmosféricas também dificultam a dispersão dos poluentes. Segundo o IPAM, o El Niño em curso em 2026 alterou o padrão de circulação dos ventos, favorecendo o deslocamento da fumaça para Manaus e municípios vizinhos.
Fogo cresce em municípios próximos
Apesar de o Amazonas ter registrado redução de 26% na área queimada entre janeiro e agosto de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, municípios da Região Metropolitana tiveram aumento expressivo.
Em Manacapuru, cerca de 2 mil hectares foram queimados, alta de 293%. Em Iranduba, o crescimento chegou a 212%, segundo dados do Monitor do Fogo, do MapBiomas.
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Risco para a saúde
O PM2,5 é formado por partículas muito pequenas, capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório e chegar à corrente sanguínea. A exposição pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, tosse, chiado e inflamação pulmonar, além de agravar doenças respiratórias e cardiovasculares.
Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios ou cardiovasculares estão entre os grupos mais vulneráveis.
A OMS recomenda concentração de até 15 µg/m³ em uma média de 24 horas e de 5 µg/m³ na média anual. No Amazonas, a média anual de 2025 foi de 10,67 µg/m³, mais que o dobro da recomendação anual, com 67 dias acima do limite diário.
A RedeAr mantém quatro sensores em Manaus, administrados pela EducAir, programa de educação em qualidade do ar da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Os equipamentos permitem acompanhar a variação da poluição em diferentes pontos da capital.





