Doenças renais podem evoluir e só serem descobertas em estágio avançado, diz médico

As doenças renais podem evoluir de forma silenciosa durante anos e só apresentar sintomas quando o comprometimento dos rins já está em estágio moderado ou grave. O alerta foi feito pelo médico nefrologista Miguel Moura, durante entrevista ao Conexão Onda, da Rede Onda Digital, nesta quarta-feira (8/10).
Segundo o especialista, os rins possuem grande capacidade de adaptação, o que faz com que uma pessoa possa apresentar alterações importantes sem perceber qualquer sintoma. Por isso, a investigação por meio de exames e a identificação de pessoas com maior risco são fundamentais.
Entre os exames utilizados estão a creatinina, a avaliação da função renal e exames de urina capazes de identificar a presença de proteínas. Moura explicou que a creatinina é um marcador indireto e que seus níveis também podem variar de acordo com a massa muscular. Já alterações detectadas em exames de imagem, como o ultrassom, podem aparecer mais tardiamente.
Quem precisa ficar mais atento
O nefrologista destacou que alguns grupos apresentam maior risco de desenvolver doenças renais. Entre eles estão pessoas com hipertensão, diabetes, histórico familiar de doença renal, cistos nos rins, episódios de inflamação renal, pedras nos rins de repetição e infecções urinárias recorrentes.
De acordo com Moura, pessoas com familiares que apresentam doenças renais também devem ficar atentas. Existem alterações genéticas que podem aumentar a predisposição, embora a presença de um gene, isoladamente, não determine o desenvolvimento da doença. Fatores como hipertensão, diabetes, obesidade e uso inadequado de medicamentos também podem contribuir para o surgimento do problema.
”Já temos descritos genes específicos que, se as pessoas possuírem esse gene, ela tem maior risco. Veja bem, não é o gene que vai definir a doença, a doença tem que ter o gene e um fator ambiental, que a gente costuma falar na medicina, que seria uma hipertensão, um diabetes, uma obesidade, um sobrepeso, um uso de medicamentos inadvertidos.”, disse o médico
Hipertensão e diabetes estão entre os principais fatores
Durante a entrevista, o médico chamou atenção para a relação entre hipertensão, diabetes e doença renal. Segundo ele, as duas condições estão entre as principais causas de problemas nos rins e também podem permanecer sem sintomas.
Moura ainda desmistificou a ideia de que a dor de cabeça necessariamente significa pressão alta. Segundo o especialista, a própria dor pode provocar uma elevação momentânea da pressão arterial. Por isso, uma pessoa pode ter hipertensão sem sentir qualquer sintoma e precisa realizar o acompanhamento adequado.
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Inchaço, mudanças na urina e fadiga podem ser sintomas de doenças renais
Infecção urinária também merece atenção
Outro tema abordado foi a infecção urinária. O especialista explicou que uma infecção inicialmente localizada na bexiga ou na uretra pode chegar aos rins e provocar uma pielonefrite, que é diferente de outros tipos de nefrite relacionados, por exemplo, a processos do sistema imunológico.
”Uma infecção urinária comum, você pode ser atendido por um profissional de saúde até do mais básico, de mais básica patente, para dizer assim. Mas quando isso começa a ficar recorrente, ou eventualmente uma infecção que tá curando, tá melhorando, mas aí passa dois, três dias, você termina o antibiótico e volta, isso já é do território do especialista, no qual precisa identificar o tempo de tratamento.”, afirmou o médico.
Infecções urinárias recorrentes ou que retornam poucos dias após o fim do tratamento precisam de avaliação especializada para identificar a causa, verificar a eficácia do antibiótico utilizado e investigar fatores que possam estar favorecendo novas infecções.
Sintomas podem aparecer quando doença já está avançada
Embora algumas doenças renais possam provocar dor, especialmente em casos de inflamação ou pedras nos rins, o especialista reforçou que muitos problemas renais não apresentam sintomas no início.
Nas fases mais avançadas, podem surgir sinais como cansaço, palidez, anemia, inchaço, náuseas e vômitos. Em situações graves, a perda da função renal pode levar à necessidade de diálise.
Por isso, esperar pelo aparecimento de sintomas não é uma estratégia segura para acompanhar a saúde dos rins.
Exames e hábitos ajudam na prevenção
Entre os exames citados pelo médico estão a creatinina e a avaliação da proteína na urina, como a microalbuminúria, que pode indicar sobrecarga renal.
O especialista também destacou a importância de reduzir o consumo de sal, controlar o peso, praticar atividade física e manter uma alimentação equilibrada. Segundo ele, obesidade, sobrepeso e outros fatores podem sobrecarregar não apenas os rins, mas diferentes órgãos do organismo.
“Vamos tentar mudar aos poucos os hábitos, hábitos tanto alimentares quanto alguns vícios, eventualmente eles não conseguem ser mudados de uma hora pra outra”, afirmou o nefrologista.





