Conheça a complexa gastronomia do Haiti, o segundo adversário do Brasil na Copa

Depois da partida de estreia contra o Marrocos, em Nova Jersey, no dia 13, a Seleção Brasileira terá pela frente o Haiti na segunda rodada do Grupo C da Copa do Mundo de 2026. A partida está marcada para o dia 19 de junho, na Filadélfia, nos Estados Unidos. O confronto coloca frente a frente uma das seleções mais tradicionais do futebol mundial e um país que faz sua segunda participação na história do torneio.
Se dentro de campo o Haiti tentará surpreender a seleção pentacampeã da Copa do Mundo, fora dele o país caribenho apresenta uma das culinárias mais singulares das Américas e que de alguma maneira migrou para certas cidades brasileiras por conta da migração ocorrida após o grande terremoto de 12 de janeiro de 2010. O abalo sísmico teve magnitude 7,0 e atingiu principalmente a região de Porto Príncipe, a capital do país. A tragédia destruiu grande parte da infraestrutura haitiana, deixando centenas de milhares de mortos, feridos e desabrigados.
No Brasil, uma das portas de entrada dos haitianos foi o município amazonense de Tabatinga, na região do Alto Solimões, e depois Manaus. Nesse movimento, os migrantes trouxeram uma parte da gastronomia haitiana que reúne influências africanas, francesas, indígenas e espanholas, resultado da formação histórica da nação e de sua posição estratégica no Caribe.
A influência francesa na mesa dos haitianos
Nenhum alimento possui valor histórico tão relevante quanto a Soup Joumou, considerada por muitos o principal símbolo gastronômico do Haiti. A sopa é preparada com abóbora, carne bovina, legumes, raízes, massas e especiarias. Seu consumo está diretamente ligado à independência do país, conquistada em 1º de janeiro de 1804 após uma revolta de escravizados contra o domínio francês.
Durante o período colonial, a sopa era reservada aos proprietários franceses, embora fosse produzida pelos escravizados. Com a independência, o prato passou a representar liberdade e identidade nacional. Desde então, famílias haitianas se reúnem todos os anos para preparar e compartilhar a receita no primeiro dia do ano. Em 2021, a tradição foi reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
A exemplo da culinária brasileira, em especial a amazonense, a culinária do Haiti preserva um forte sentido comunitário. O preparo da Soup Joumou, por exemplo, mobiliza famílias inteiras, envolvendo adultos, crianças, agricultores e artesãos em uma tradição transmitida entre gerações.

Além da Soup Joumou, a mesa haitiana inclui preparações com banana-da-terra, mandioca, batata-doce, feijão, arroz e frutos do mar. Muitos desses ingredientes também fazem parte da alimentação amazônica, embora recebam tratamentos culinários diferentes em cada região.
Outro símbolo da culinária nacional é o diri ak djon djon, arroz preparado com um cogumelo nativo que confere coloração escura e sabor característico ao prato. Frequentemente servido em ocasiões especiais, ele representa uma das receitas mais identificadas com a cozinha haitiana.

Outro prato bastante popular e que aproxima nossas tradições culinárias é o Griot, preparado com carne suína marinada em frutas cítricas, alho, ervas e especiarias. Após o cozimento, a carne é frita e servida com picles especial de repolho, cenoura e pimentas que acompanha boa parte das refeições haitianas. O prato é presença constante em festas familiares, celebrações e encontros comunitários. Neste link você confere o preparado do prato por um chef haitiano da pagina BraHaitianos, dedicada a cultura haitiana mantida por migrantes que vivem no Brasil.
Confira os ingredientes e o modo de preparo do Griot Haïtien:
- 900 g de carne de porco (paleta ou pernil), cortada em pedaços médios;
- Suco de 2 limas e/ou laranjas azedas;
- Tempero seco (ai você pode fazer um mix de alho e cebola em pó, pimenta do reino, cominho e paprica, tudo ao seu a gosto);
- Alecrim seco;
- Salsinha;
- Pimenta preta;
- Óleo para fritar
Ingredientes para a marinada:
- 1/4 colher de chá de sal;
- 1/4 colher de chá de pimenta preta;
- 1/2 xícara de vinagre;
- 1 cubo de caldo de carne
Modo de preparo:
- Lave bem os pedaços de carne de porco com suco de lima e/ou laranja azeda;
- Numa tigela grande, tempere a carne com tempero seco, alecrim, tomilho, salsinha, e pimenta. Deixe marinar na geladeira por ao menos quatro horas (idealmente durante a noite);
- Numa panela, coloque a carne marinada e cubra com água. Ferva em fogo médio-alto até a água começar a ferver;
- Reduza o fogo para o mínimo e continue a cozinhar, mexendo ocasionalmente, até que a carne fique muito macia e comece a dourar na sua própria gordura. Este processo pode levar até 45 minutos;
- Retire a carne da panela e reserve.
- Numa frigideira ou fritadeira, aqueça o óleo. Frite a carne em pequenas porções até que todos os lados estejam uniformemente dourados e crocantes.
- Retire a carne do óleo e escorra em papel toalha. Sirva imediatamente, idealmente com a vinagrete e batata frita.

Griot haïtien, o prato típico do segundo adversário do Brasil na Copa





