Casos de SRAG despencam até 89% no Amazonas após pico no início do ano

Após um início de ano marcado pelo aumento das internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), o Amazonas passou a registrar forte redução dos casos a partir de maio. Dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), mostram que, após um primeiro quadrimestre acima dos números de 2025, a curva de internações entrou em queda, e o cenário epidemiológico é considerado estável.
À Rede Onda Digital, a FVS explicou que o comportamento acompanha o padrão sazonal das doenças respiratórias no estado. Embora os vírus circulem durante todo o ano, o período de maior transmissão ocorre, historicamente, entre outubro e maio, quando fatores climáticos e sociais favorecem a disseminação das infecções.
Alta no primeiro quadrimestre
No primeiro quadrimestre de 2026, os registros de SRAG superaram os do mesmo período de 2025. Em janeiro, o aumento foi de 20,8%. Fevereiro apresentou a maior diferença, com aumento de 70,2%, enquanto março registrou crescimento de 63,5%. Abril teve aumento de 9,1% em relação ao mesmo mês de 2025.

De acordo com a FVS, esse aumento é compatível com o período de maior circulação dos vírus respiratórios no Amazonas.
“O aumento de casos observado entre janeiro e abril é compatível com esse período de maior transmissão, favorecido pelo período chuvoso, maior permanência de pessoas em ambientes fechados e eventos de intensa interação social, como festas de fim de ano, Carnaval e retorno às aulas. Nesse contexto, houve circulação de vírus como influenza e vírus sincicial respiratório (VSR), que afetam principalmente crianças pequenas, idosos e pessoas com fatores de risco”, informou o órgão.
Queda a partir de maio
A partir de maio, porém, a tendência se inverteu. O número de casos caiu 11,4% na comparação com maio de 2025. Em junho, a redução chegou a 38,3%. Em julho, considerando dados ainda parciais, a queda alcança 89,3%.
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A fundação destaca que a comparação entre os anos deve considerar que a dinâmica dos vírus respiratórios muda a cada temporada. Em 2025, houve circulação simultânea de influenza e SARS-CoV-2 logo no início do ano. Em 2026, o comportamento epidemiológico foi diferente, refletindo as características naturais da circulação viral no período.
“A redução dos casos a partir de maio é compatível com o fim do período de maior sazonalidade das doenças respiratórias. Esse comportamento resulta da combinação de fatores, como a diminuição da circulação viral, o perfil de imunidade da população, a vacinação e a dinâmica natural de transmissão dos vírus”, informou a FVS.
O órgão ressalta que os dados de julho permanecem parciais e podem sofrer atualização conforme novas notificações sejam encerradas pelas equipes de vigilância epidemiológica.
Crianças seguem como grupo mais afetado
Apesar da redução geral das internações, os dados mostram que as crianças continuam concentrando a maior parte dos casos de SRAG causados por vírus respiratórios no Amazonas.

Entre os pacientes com diagnóstico confirmado, o VSR lidera as ocorrências em menores de dois anos, faixa etária que reúne a maior quantidade de internações. Em seguida aparecem rinovírus, influenza, metapneumovírus e outros vírus respiratórios. A predominância do VSR entre crianças pequenas acompanha o comportamento observado em outras regiões do país e reforça a necessidade de atenção especial aos grupos mais vulneráveis durante os períodos de maior circulação viral.
Cenário é de estabilidade
Com a queda registrada desde maio, a avaliação técnica da FVS é de que o Amazonas vive um cenário de estabilidade epidemiológica em relação às síndromes respiratórias graves. Segundo o órgão, não há indicativos de aumento expressivo de casos nas próximas semanas, embora o monitoramento permaneça contínuo para identificar rapidamente qualquer mudança no comportamento das doenças respiratórias.
A fundação reforça que a população deve manter medidas de prevenção, como vacinação contra influenza e Covid-19, higienização frequente das mãos, etiqueta respiratória, uso de máscara em caso de sintomas gripais e procura por atendimento médico diante do agravamento do quadro clínico.





