Calor extremo no Amazonas exige atenção e aumenta riscos à saúde

As altas temperaturas registradas no Amazonas em agosto exigem atenção redobrada da população, principalmente dos grupos mais vulneráveis. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) alertam para os riscos à saúde relacionados ao calor extremo e às ondas de calor.
O calor extremo pode aumentar a possibilidade de agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais. Segundo o cardiologista Aristóteles Alencar, ouvido pela reportagem, as altas temperaturas fazem o coração trabalhar mais para controlar a temperatura corporal.
“Pela perda de líquidos corporais, o sangue fica mais viscoso, mais espesso. Fica mais lento para circular”, explicou.
A perda de líquidos também pode reduzir os níveis de eletrólitos, como sódio e potássio, importantes para o funcionamento do organismo e do coração. Essa alteração pode favorecer o aparecimento de arritmias.
“Com essas perdas, também se perdem eletrólitos, sódio e potássio, o que pode causar arritmia”, alertou o cardiologista.
Sinais de alerta
A população deve ficar atenta a sintomas que indicam que o organismo está sofrendo com o calor, entre eles sede intensa, fraqueza, tontura, sonolência, dor de cabeça, náuseas, cãibras, sudorese intensa e exaustão. Desmaio, alteração do nível de consciência, pele muito quente, confusão, agitação e convulsões são considerados sinais de maior gravidade.
Para pacientes com doenças cardíacas, alguns sintomas exigem atenção especial.
“Se o paciente for portador de doença cardíaca, o aparecimento de dor no peito, falta de ar e palpitações são sinais de alerta”, afirmou Aristóteles Alencar.
Especialistas destacam como grupos de maior risco crianças, idosos, gestantes, pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida, pacientes com doenças crônicas, pessoas com deficiência ou transtornos mentais e trabalhadores expostos ao calor.
Para esses grupos, a recomendação é reforçar a vigilância, especialmente nos períodos de temperaturas mais elevadas.
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Hidratação precisa ser adequada
Beber água e outros líquidos com frequência, mesmo sem sentir sede, está entre as principais recomendações para evitar problemas relacionados ao calor. Pessoas com algumas doenças cardíacas, no entanto, precisam seguir orientações específicas dos profissionais de saúde.
“Pacientes com cardiopatias às vezes não podem tomar muita água. Sobrecarrega o coração”, explicou o cardiologista.
Outro cuidado é com a queda da pressão arterial, já que o calor provoca dilatação das artérias e pode reduzir a pressão, principalmente em pessoas mais suscetíveis.
“Tem que ter cuidado com a hipotensão, pois o calor dilata as artérias, podendo baixar muito a pressão”, acrescentou.
Cuidados durante o calor
Entre as medidas recomendadas pela Saúde estão evitar exposição direta ao sol e atividades físicas nos horários de maior calor, usar roupas leves, folgadas e claras, utilizar protetor solar e manter os ambientes ventilados e termicamente confortáveis.
Para quem pratica exercícios físicos, Alencar recomenda ainda reduzir a intensidade das atividades e escolher horários mais adequados.
“Roupas leves. Horário adequado. Diminuir a intensidade. E bom senso. Qualquer sintoma diferente, procurar logo seu médico”, orientou.
Onde buscar atendimento
A orientação é procurar uma UBS ou USF para avaliação e atendimento inicial em casos leves. Situações com sintomas importantes ou necessidade de atendimento imediato devem ser encaminhadas para SPA ou UPA.
Em casos graves, como alteração da consciência, convulsões, dificuldade respiratória, sinais cardiovasculares ou suspeita de golpe de calor, a recomendação é procurar imediatamente um pronto-socorro ou hospital.
Em situações de urgência e emergência, a população deve acionar o SAMU pelo 192, especialmente quando houver alteração da consciência, convulsão ou comprometimento respiratório ou circulatório.





