“AM pode enfrentar seca igual ou pior que as de 2023 e 2024”, alerta pesquisador sobre El Niño

O avanço de um novo fenômeno El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027 já preocupa pesquisadores e autoridades ambientais por causa dos possíveis impactos na Amazônia, especialmente no Amazonas. Segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), as chances de formação do fenômeno ultrapassam 90% na segunda metade do ano.
O El Niño acontece quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal, alterando o clima em várias partes do mundo. Na Amazônia, o principal efeito costuma ser a redução das chuvas, aumento do calor e secas mais severas.
Para o pesquisador Lucas Ferrante, os sinais atuais indicam que a próxima estiagem pode ser semelhante ou até pior do que as registradas em 2023 e 2024, quando rios atingiram níveis históricos de seca, comunidades ficaram isoladas e a fumaça das queimadas encobriu cidades como Manaus.

“Com base nos dados atualmente disponíveis, o El Niño deste ano pode provocar uma seca semelhante ou até mais severa do que as registradas em 2023 e 2024. Isso ocorre porque os eventos de El Niño têm sido potencializados pelo aquecimento global, especialmente pelo aumento da temperatura das águas do Oceano Pacífico, incluindo o Pacífico Sul, o que intensifica seus efeitos climáticos”, disse o pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) e do CbioClima, Lucas Ferrante, à Onda Digital.
Segundo ele, o aquecimento global e o desmatamento potencializam os efeitos do El Niño. “Ano após ano, os rios amazônicos vêm atingindo níveis cada vez mais baixos”, alerta.
Ferrante explica que as primeiras áreas afetadas devem ser regiões próximas às cabeceiras dos rios na Amazônia Andina. Com o avanço da seca, os impactos tendem a atingir grande parte da bacia amazônica entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Entre os principais efeitos esperados estão:
• redução do nível dos rios e dificuldade no transporte fluvial;
• isolamento de comunidades ribeirinhas e indígenas;
• aumento das queimadas e incêndios florestais;
• fumaça intensa nas cidades;
• prejuízos para pescadores, agricultores e populações tradicionais;
• risco maior de morte de animais aquáticos devido ao calor extremo.
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O pesquisador também destaca que o atual volume elevado de chuvas e rios cheios no Amazonas não significa segurança contra uma futura seca. Segundo ele, a crise climática vem intensificando os extremos: períodos de chuva mais fortes e secas mais prolongadas.
“O rio cheio agora não elimina o risco de uma seca severa depois. O que estamos vendo é um desequilíbrio climático cada vez maior”, afirmou.
Apesar do alerta, meteorologistas reforçam que ainda é cedo para prever com precisão a intensidade do próximo El Niño. Os modelos climáticos mais confiáveis conseguem indicar impactos com maior segurança apenas alguns meses antes do fenômeno atingir seu pico.





