Amazonas registra queda de casos de HIV entre janeiro e setembro de 2026

O Amazonas registrou queda nos casos de HIV/Aids entre 1º de janeiro e 21 de setembro de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP). O dado veio à tona na mesma semana em que Fiji, no Pacífico, declarou emergência nacional por HIV diante do aumento expressivo de novos diagnósticos no país insular.
A FVS ressalta que os números de 2026 são preliminares, passam por atualizações periódicas e podem sofrer alterações. O painel epidemiológico da Fundação, atualizado em 22 de setembro, contabilizava 1.805 registros de HIV/Aids no Amazonas em 2026, considerando os diferentes grupos acompanhados pela vigilância.

A diferença entre os dados do painel e a comparação feita pela FVS é importante, já que o total disponível no sistema corresponde aos registros contabilizados até a data da atualização, enquanto a análise da Fundação considera períodos equivalentes de 2025 e 2026.
Manaus concentra registros
De acordo com a FVS-RCP, Manaus concentra o maior número de registros de HIV no Amazonas. A maior concentração ocorre entre adultos jovens, principalmente na faixa de 20 a 39 anos, com predominância entre homens.
Os dados disponíveis no painel estadual mostram que, em 2026, essa faixa etária reúne 778 registros entre homens e 486 entre mulheres. Entre pessoas de 40 a 59 anos, são 223 registros entre homens e 142 entre mulheres.
A concentração entre adultos jovens reforça a importância de estratégias de prevenção e diagnóstico voltadas a esse público, especialmente por meio da testagem e da prevenção combinada.
Municípios
Em resposta ao questionamento da Rede Onda Digital, a FVS informou que os 62 municípios do Amazonas recebem insumos para testagem rápida e ações de prevenção combinada. Entre os materiais estão preservativos, gel lubrificante e autotestes para HIV.
A Fundação também informou que a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) está implantada nos 62 municípios. O medicamento é utilizado após uma possível exposição ao HIV e deve ser iniciado o mais rapidamente possível.
Já a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), destinada a pessoas que não têm HIV e apresentam risco aumentado de exposição ao vírus, está sendo ampliada nos municípios do interior. A estratégia é especialmente relevante no Amazonas devido às características territoriais do estado, que incluem grandes distâncias entre municípios e dificuldades de deslocamento para parte da população.
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Apesar da redução apontada pela FVS na comparação entre os períodos de 2025 e 2026, o Amazonas permanece entre os estados que demandam acompanhamento da epidemia de HIV.
Dados do Ministério da Saúde mostram que a região Norte apresentou, em 2024, a maior taxa regional de detecção de HIV, com 25,3 casos por 100 mil habitantes. Naquele ano, foram registrados 4.730 casos de infecção pelo HIV na região.
Manaus também apresentou taxa elevada. Segundo o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids do Ministério da Saúde, a capital amazonense registrou 49,2 casos por 100 mil habitantes em 2024, o que deixou a cidade entre as capitais com maiores taxas de detecção naquele ano. Os números, porém, não significam que o Amazonas esteja enfrentando uma emergência semelhante à declarada por Fiji, já que os indicadores possuem metodologias e contextos epidemiológicos diferentes.
O que acontece em Fiji
Em Fiji, o governo declarou emergência nacional diante do crescimento dos diagnósticos de HIV. Em 2025, o país registrou 2.106 novos diagnósticos, número 16 vezes superior ao registrado em 2019. As autoridades anunciaram medidas para ampliar a testagem, a prevenção e o acesso ao tratamento.
O cenário internacional chama atenção para a necessidade de manter políticas de prevenção e diagnóstico mesmo quando os indicadores locais apresentam redução. No Amazonas, a FVS afirma manter o acompanhamento epidemiológico e apoiar os municípios para ampliar o acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao cuidado relacionado ao HIV, considerando as particularidades territoriais do estado, com distribuição de insumos aos 62 municípios, oferta de PEP em todo o Amazonas e expansão da PrEP no interior.
Assim, enquanto Fiji enfrenta uma escalada de novos diagnósticos que levou o país a declarar emergência, o Amazonas apresenta redução de registros no período analisado pela FVS em 2026, mas mantém ações de vigilância, prevenção e tratamento diante da persistência do HIV no estado.





