El Niño: Governo libera R$ 337 milhões para combater incêndios diante de ameaça de seca

O avanço do fenômeno El Niño e a possibilidade de uma seca ainda mais severa do que a registrada em 2023 acenderam o alerta no Amazonas. Diante do risco de aumento das queimadas e dos impactos ambientais e sociais na região, o governo federal anunciou a liberação de R$ 337 milhões para ações de prevenção e combate aos incêndios florestais em todo o país.
Os recursos serão destinados ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsáveis pelo monitoramento e pela fiscalização ambiental.
Segundo o diretor do Centro de Ciências do Ambiente da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), professor André Mendonça, os modelos climáticos analisados por pesquisadores e órgãos de monitoramento indicam um cenário preocupante para a bacia amazônica.
“Há uma possibilidade bastante alta de repetição ou até agravamento do padrão observado em 2023”, afirmou o especialista à Rede Onda Digital.
De acordo com o pesquisador, o El Niño é o principal gatilho climático, mas a combinação com fatores como o aquecimento do Atlântico Tropical, o desmatamento e as mudanças climáticas globais contribui para a intensificação das secas extremas.
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As regiões do Alto e Médio Rio Negro, além do Alto Solimões, aparecem entre as áreas mais vulneráveis. Em Manaus, a estiagem de 2023 provocou déficit de cerca de 30% nas chuvas e levou o Rio Negro ao menor nível já registrado.
André Mendonça explica que a Amazônia funciona como uma “grande esponja”, que depende das chuvas para armazenar água nos rios, no solo e nos aquíferos. Com menos precipitação e temperaturas mais elevadas, esse sistema perde água mais rapidamente, favorecendo incêndios florestais, piora da qualidade do ar, mortandade de peixes e desequilíbrios ambientais.
“Se em julho, época de transição, vem um el nino com chuvas em menor quantidade, então, a redução da precipitação, se a tua esponja já não encheu bastante, não ficou cheia d’água bastante, devido a chuvas abaixo da média, os rios vão baixar mais rápido. Começa a secar, começa a ter menos chuva, o ciclo vai ser acelerado. Então, o solo vai secar antes, você vai ter a vegetação mais seca, estressada, que a gente chama de estresse hídrico, a fauna, problemas, enfim, todo um desequilíbrio ecológico. Então, você soma isso, incêndios, que é, tradicionalmente, a época de menos chuva, na Amazônia, onde se fazem queimadas para preparação de solo, para plantios e afins, e você tem uma baixa dispersão atmosférica desses gases, incêndios, a chuva menos frequente, você tem aí uma situação toda onde a tua esponja vai ser espremida mais rápido”, explica.
A expectativa é que novos modelos climáticos divulgados nas próximas semanas permitam calibrar com maior precisão as previsões para a seca na Amazônia. Enquanto isso, órgãos públicos já trabalham em ações preventivas, como reforço nos sistemas de alerta, armazenamento de água e alimentos e apoio às populações mais vulneráveis.
Para os especialistas, a preparação antecipada será decisiva para reduzir os impactos de uma estiagem que pode voltar a colocar grande parte da Amazônia diante de um dos períodos mais críticos de sua história recente.





